Cronologia biográfica

Esta cronologia biográfica foi criada com a intenção de oferecer acesso a uma fonte confiável e precisa de informações sobre a vida de Álvaro Vieira Pinto. Foi elaborada tendo como base uma compilação de informações encontradas em obras sobre o pensador brasileiro. Nos trechos indicados das obras abaixo, nós verificamos todo o trecho e foram anotadas, sistematicamente, todas as citações e referências à biografia de Vieira Pinto:

  • capítulo ‘Nota biográfica‘, p.315-324 em: CÔRTES, Norma. Esperança e democracia: as idéias de Álvaro Vieira Pinto. Rio de Janeiro: Iuperj; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003.
  • capítulo ‘A “biobibliografia” de Álvaro Vieira Pinto‘, p.93-105 em: FÁVERI, José Ernesto de. Álvaro Vieira Pinto: contribuições à educação libertadora de Paulo Freire. São Paulo: LiberArs, 2014.
  • capítulo “Introdução” de Demerval Saviani que inclui duas entrevistas de Álvaro Vieira Pinto, cedidas a Demerval Saviani e Betty Oliveira, em: VIEIRA PINTO, Álvaro. Sete lições sobre educação de adultos. São Paulo: Cortez, 2010.
  • trecho de editorial de apresentação de Álvaro Vieira Pinto aos leitores e leitoras da coluna, p. 264, em: VIEIRA PINTO, Álvaro. Estudos e Pesquisas Científicas I. In. Cultura Política – Revista Mensal de Estudos Brasileiros, n. I, 1941, p. 264–273.
  • MORAES AUGUSTO, Maria das Graças de. Álvaro Vieira Pinto e a verossimilhança do mythos (Introdução) In. Kléos, n.13/14: 113/143, 2009/10, Rio de Janeiro, p.113-117 (Introdução ao facsimile do artigo “Considerações sobre a lógica do antigo estoicismo”, de Álvaro Vieira Pinto)

Também foram obtidas informações específicas dos seguintes livros e documentos:

  • CÔRTES, Norma. O filósofo e o historiador – dois homens e um destino. In. CUNHA, Paulo Ribeiro da; CABRAL, Fátima (Org.). Nelson Werneck Sodre: entre o sabre e a pena. São Paulo: Editora da UNESP, 2006. p.295-312.
  • MORAES, Ceres. Paraguai: a consolidação da ditadura de Stroessner, 1954-1963. Coleção História. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.
  • FERREIRA, J. C. P.; ALMEIDA, M. A.; FERNANDES, M. O.; SENRA, M. (Orgs.). Editando O Editor 3 – Ênio Silveira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Com-Arte, 2003.
  • MORAES AUGUSTO, Maria das Graças de. Álvaro Vieira Pinto e a verossimilhança do mythos (Introdução) In. Kléos, n.13/14: 113/143, 2009/10, Rio de Janeiro, p.113-117
  • Website: Relação de ex-alunos do CSI (Colégio Santo Inácio) (29.768). Disponível em <http://www.oocities.org/excsi/EXALUNOS.HTM> Acesso em 08 de maio de 2015. PDF de cópia desta página conforme disponibilizada em 08/05/2015
  • Jornal: Última Hora. Rio de Janeiro, Têrça-Feira, 30 de Agôsto de 1960. Página 3. Coluna NA HORA H – José Mauro. Título Principal da Coluna: Satrre Visitou o Morro da Babilônia. Em “Sete Notícias”. Disponível em <http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=386030&PagFis=61578>
  • LIMA, Michelle Fernandes. Álvaro Borges Vieira Pinto na Esquerda Brasileira (1961-1964). In. Revista Café com Sociologia. vol.4, n.1, jan-abr, 2015. Disponível em <http://revistacafecomsociologia.com/revista/index.php/revista/article/view/433>
  • LOVATTO, Angélica. Ênio Silveira e os Cadernos do povo brasileiro: nacionalismo e imperialismo nos anos 1960. In. Anais do IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina. Universidade Estadual de Londrina,  2010. Disponível em <http://www.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/anais_ivsimp/gt8/10_angelicalovatto.pdf>

Pesquisa, resgate e cronologia elaborada por Luiz Ernesto Merkle e Rodrigo Freese Gonzatto. Contribuição com fichamentos: Sara Campagnaro. Última atualização em junho de 2015.

 

1909  Nascimento

  • “Nasceu em 11 de novembro de 1909, em Campos [dos Goytacazes], cidade do norte do Estado do Rio de Janeiro, filho de um pequeno comerciante local.” (CÔRTES, 2003, p.315. adição nossa)
  • “Álvaro Borges Vieira Pinto, membro de uma família de descendência portuguesa, nasceu em 11/11/1909, filho de Carlos Maya Vieira Pinto e de Arminda Borges Vieira Pinto. Segundo sua sobrinha Mariza, em entrevista, da descendência do casal, além de Álvaro, havia dois irmãos e uma irmã. Os irmãos eram Ernani, escrivão de justiça, e Arnaldo, engenheiro civil, e a irmã Laura, grande estudiosa de piano. Todos os irmãos, inclusive Álvaro, estudaram no colégio Santo Inácio, do Rio de Janeiro, antes de ingressarem na faculdade.” (FÁVERI, 2014, p.93)

Infância

  • “Minha origem é de um rapaz de classe média pobre, que teve necessidade de trabalhar logo cedo.”  (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.12)

???? Estuda no colégio Santo Inácio (ensino médio), no Rio de Janeiro

  • “Fui aluno do colégio dos jesuítas, o Santo Inácio no Rio de Janeiro. Naquele tempo, os exames eram feitos no Pedro II, para passar de um ano para outro no colégio.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11-12)
  • “V. Pinto estudou no Colégio Santo Inácio, dos jesuítas, que era, à época, um dos melhores do Rio de Janeiro, além de ter feito os exames no Colégio Pedro II. É, pois, pelo menos plausível a suposição de que o autodidatismo produziu bons frutos porque se desenvolveu sobre a base de uma sólida formação geral propiciada pela escolarização fundamental.” (SAVIANI, Dermeval; 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.22)
  • “[Quando, futuramente, ingressou como professor de Filosofia] Não tinha feito nenhum curso de Filosofia, tinha apenas estudado muito, em livros todos eles de orientação tomista evidentemente, porque fiz o curso que havia no Colégio Santo Inácio, com a duração de um ano de Filosofia, coisa que era uma novidade naquela época.”. (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.14, adição nossa)
  • “É muito interessante acompanharmos a evolução do pensamento de Vieira Pinto. Ele foi aluno do Colégio Santo Inácio, aluno dos jesuítas, portanto, e chegou a participar da Congregação Mariana. Por informações que me foram dadas, Vieira Pinto teria chegado à Faculdade de Filosofia através do padre Leonel Franca. Este, com Alceu [Alceu de Amoroso Lima, primeiro director da FNFi], teriam levado Vieira Pinto para a Faculdade”. Cf. FÁVERO, M. de L. A. Faculdade Nacional de Filosofia. Rio de Janeiro: UFRJ FUJB, 1992. v. 5, p. 247-248.”  (Jade de Medeiros Brito In. MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.115)
  • “Álvaro Borges Vieira Pinto estudou no Colégio Santo Inácio, onde aprendeu grego antigo e latim.” (MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.114)
  • “Alvaro Borges Vieira Pinto (19-25), […]
    Arnaldo Borges Vieira Pinto (21-26) […]
    Ernani Borges Vieira Pinto (21-26)” (COLÉGIO SANTO INÁCIO, 2015)
    OBS.: Não foi encontrado o nome da irmã Laura na relação de ex-estudantes.
    Informação segundo consta na Relação de ex-alunos do CSI (COLÉGIO SANTO INÁCIO, 2015)

1930-1931  Conclui os estudos de nível médio e vai para São Paulo

  • “Quando terminei os estudos no Colégio Santo Inácio fiquei um ano disponível, sem poder entrar na faculdade, pois era muito jovem. Tinha decidido estudar medicina. Minha família morou algum tempo em São Paulo onde fiquei um ano, mas sem estudar nada de ciências. Foi um ano importante, porque foi um ano de formação literária e filosófica.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.13)
  • “Na capital, conclui seus estudos no Colégio Santo Inácio, em Botafogo. Vai para São Paulo com a família, mas era jovem demais para ingressar na universidade (embora já estivesse decidido a se formar em medicina) e passa o ano sem ter obrigações escolares formais. Aproveita esse tempo livre para ler literatura e filosofia, quando entra em contato com o ambiente intelectual paulista dos cafés do Largo do Ouvidor.” (CÔRTES, 2003, p.315)
  • “Ao concluir seus estudos secundários, estava determinado a realizar o curso de graduação em Medicina. Ficou sem estudar na escola formal por um ano, entre o fim do segundo grau e início da faculdade (1931), porque ainda não possuía idade mínima para ingressar num curso superior. Neste ano, sua família se transferiu para São Paulo e estabeleceu relações com os intelectuais que lideraram a Semana de Arte Moderna.”  (FÁVERI, 2014, p.94)
  • “(…) em São Paulo estudei muito e fiz relações com alguns intelectuais que naquele tempo estavam saindo da agitação do período da Semana de Arte Moderna. Eu já os peguei quando eles se reuniam todas as semanas, todas as noites, todos os dias quase, no café do Largo do Ouvidor, se não me engano, em São Paulo.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.13)

1931  Retorna ao Rio de Janeiro e ingressa na faculdade de Medicina  

  • “Muito moço, com 14 anos, foi quando vim para o Rio de Janeiro, fazer o concurso vestibular para a Faculdade Nacional de Medicina. Passei em penúltimo lugar na turma e depois fui ser um dos primeiros alunos, porque eu não tinha formação nenhuma preparatória para aquele concurso: em São Paulo estudei muito e fiz relações com alguns intelectuais que naquele tempo estavam saindo da agitação do período da Semana de Arte Moderna. Eu já os peguei quando eles se reuniam todas as semanas, todas as noites, todos os dias quase, no café do Largo do Ouvidor, se não me engano, em São Paulo.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.13)
  • “Passado esse ano em São Paulo, retornou para o Rio de Janeiro com idade de 14 anos. Ingressou na faculdade de Medicina e realizou o curso com muita dificuldade porque, além da família passar por um colapso econômico, perdeu nesse tempo seus pais. Com o apoio da tia Cora, ajudou a sustentar a família e terminou o curso.” (FÁVERI, 2014, p.94)
  • “Comecei a dar aulas num colégio de freiras, aulas de filosofia, de física, curso primário. Apesar disso ia fazendo aos poucos os meus estudos de medicina muito mal, para terminar o 5º. e 6º. anos e me formar.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.13)
  • “Voltou para a Guanabara onde presta os exames vestibulares, ingressando na Faculdade Nacional de Medicina. Seus estudos são desenvolvidos em condições bastante adversas: seu pai fora vítima de um insucesso econômico e logo em seguida sua mãe vem a falecer. Desde então, sua tio Cora o adotou informalmente. Forçado a trabalhar, Vieira se emprega em um colégio religioso onde passou a dar aulas de Filosofia e Física para o ensino médio.” (CÔRTES, 2003, p.316)

1931  Assume vice-presidência da AUC

  • “Em 1931 assumiu, como acadêmico de medicina, a vice-presidência da Ação Universitária Católica do Rio de Janeiro (AUC).” (CÔRTES, 2003, p.316)

1932-?  Conclui graduação em Medicina. Ida a São Paulo para trabalho em clínica

  • “Segui a carreira médica com muita dificuldade, porque logo depois meu pai teve um fracasso econômico e fiquei sem apoio, tendo que trabalhar para sustentar a família. Perdi minha mãe nesse período e ficamos quatro irmãos. Ficamos sem apoio e sem condições de fazer alguma coisa.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.13)
  • “Quando me formei, tentei fazer Clínica, justamente em São Paulo, em Aparecida, mas não tive sucesso nenhum e não havia a menor condição para isso. Meu consultório era num quarto de hotel.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.13)
  • Em 1932, conclui a graduação e tenta instalar sua clínica em Aparecida, São Paulo. Sem êxito, retornou à capital da República onde inicia a o exercício da medicina junto ao médico e pesquisador Álvaro Osório de Almeida. Nos próximos anos dedica-se aos estudos e pesquisas laboratoriais, envolvendo-se na pesquisa sobre os efeitos da radioterapia e da elevação da pressão atmosférica no tratamento e cura do câncer. Trabalha na Fundação Gaffré e Guinle do Rio de Janeiro.” (CÔRTES, 2003, p.316)
  • “Depois de muito sacrifício, formou-se médico e começou a clinicar em condições precárias num quarto de hotel, em Aparecida do Norte, São Paulo, mas não teve sucesso.” (FÁVERI, 2014, p.95)

???? Volta ao Rio de Janeiro. Início do trabalho como pesquisador laboratorista (por 16 anos). Ingressa nas faculdades de Física e de Matemática. Inicia trabalho como professor de Filosofia, ministrando aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia do Distrito Federal.

  • “Depois de muito sacrifício, formou-se médico e começou a clinicar em condições precárias num quarto de hotel, em Aparecida do Norte, São Paulo, mas não teve sucesso. Voltou então para o Rio de Janeiro e foi apresentado a um colega, também médico, que estava desenvolvendo atividades de pesquisa sobre câncer num laboratório-hospital. Tornou-se pesquisador também e obrigou-se a aprofundar seus estudos em Matemática e Física. (…) Nesse período em que atuava como pesquisador, também lecionava Filosofia na Faculdade de Filosofia do Distrito Federal, que mais tarde deu origem à Faculdade Nacional de Filosofia.” (FÁVERI, 2014, p.95)
  • “Paralelamente às suas atividades laboratoriais, formou-se em Física e em Matemática pela antiga Universidade do Distrito Federal. Retornara aos bancos escolares na tentativa de bem responder às indagações suscitadas pelo emprego da radiação no tratamento experimental de animais e doentes.” (CÔRTES, 2003, p.316)
  • “Saviani — O senhor fez curso de Matemática?
    Vieira Pinto — Sim. Fiz o curso de matemática superior, porque tinha um amigo, que depois foi meu colega de faculdade, hoje falecido, que me incentivou para fazer o curso de matemática. Era professor de mecânica superior. Fiz o curso na Universidade do Distrito Federal, que então existia. Mas o curso tinha dois alunos só, eu e um repetente. No meio do ano encerrou-se o curso, pois a escola fechou. As aulas eram dadas em um café. Mas com professores da melhor qualidade, homens de grande valor, 2 ou 3 só. Fiquei num dilema, pois precisava da matemática para entender o problema do raio-X. Como eu usava muito o raio-X no tratamento de doentes e de animais, eu precisava conhecer bem a física corpuscular e daí a necessidade que tive de me fazer competente também nessas questões.
    Saviani – E a Física, o senhor chegou a fazer algum curso regular dentro da própria Medicina?
    Vieira Pinto — Dentro da Medicina não. O curso de Física foi feito juntamente com o curso de Matemática.
    Saviani — Então o senhor estudou Matemática e Física na época em que o senhor trabalhava no laboratório?
    Vieira Pinto — Sim, no laboratório de Biologia.
    Saviani — O laboratório pertencia ao hospital?
    Vieira Pinto — Não, não pertencia ao hospital, apenas funcionava lá.
    Saviani — O senhor era assistente no laboratório e também médico no hospital?
    Vieira Pinto — O laboratório também era um hospital, porque tínhamos uma parte de pesquisa e outra de enfermaria.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.16-17)
  • “Voltei para o Rio e aqui, com apoio de um amigo que me apresentou ao Álvaro Osório de Almeida, que naquele tempo estava com grande fama, porque estava fazendo pesquisas sobre o câncer, e trabalhos submetendo pacientes a pressões atmosféricas elevadas, com câmaras especiais. Fiquei trabalhando nisso, mas os resultados foram nulos. Assim trabalhei 16 anos, mas já nesse tempo com a minha inclinação filosófica, eu estava dando aulas também na Faculdade de Filosofia, que tinha sido fundada no Distrito Federal naquele tempo, mas logo depois essa faculdade fechou e criou-se a Faculdade Nacional de Filosofia, para onde eu passei na qualidade de professor adjunto. Comecei a dar cursos sobre lógica matemática, mas um ano depois veio a guerra, houve a vaga na cadeira de História da Filosofia por causa de uma mudança de professores que saíram porque eram alemães e eu era o único assistente na cadeira de Filosofia, sendo então nomeado professor substituto em História da Filosofia.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11)
  • “Vieira Pinto teria chegado à Faculdade de Filosofia através do padre Leonel Franca. Este, com Alceu [Alceu de Amoroso Lima, primeiro director da FNFi], teriam levado Vieira Pinto para a Faculdade”. Cf. FÁVERO, M. de L. A. Faculdade Nacional de Filosofia. Rio de Janeiro: UFRJ FUJB, 1992. v. 5, p. 247-248.”  (Jade de Medeiros Brito In. MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.115)

1934  Ingressa na AIB

  • “Em outubro de 1934, animado por aquilo a que Alceu Amoroso Lima chamou de “reação espiritualista”, ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB), grupo de inspiração fascista sob a liderança de Plínio Salgado.” (CÔRTES, 2003, p.316)

1941  Torna-se professor adjunto de “História da Filosofia” na FNFi. Participação na Revista Cultura Política (de 1941-1942)

  • “Quando da II Guerra Mundial, no período de 1941 até 1949, além de se tornar professor adjunto na cadeira de História da Filosofia, na Faculdade Nacional de Filosofia, começou a escrever e publicar, numa coluna mensal da Revista Cultura Política, crônicas da vida acadêmica e científica brasileira.” (FÁVERI, 2014, p.95)
  • “[…] eu estava dando aulas também na Faculdade de Filosofia, que tinha sido fundada no Distrito Federal naquele tempo, mas logo depois essa faculdade fechou e criou-se a Faculdade Nacional de Filosofia, para onde eu passei na qualidade de professor adjunto. Comecei a dar cursos sobre lógica matemática, mas um ano depois veio a guerra, houve a vaga na cadeira de História da Filosofia por causa de uma mudança de professores que saíram porque eram alemães e eu era o único assistente na cadeira de Filosofia, sendo então nomeado professor substituto em História da Filosofia.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11)
  • “VIEIRA PINTO. Professor na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil; ex-professor de filosofia das ciências na Universidade do Distrito Federal; médico e cientista, dedicado a estudos e pesquisas de laboratório, em contácto incessante com os grandes centros de investigação científica da Capital da República e trabalhando na Fundação Gaffré e Fuinle do Rio de Janeiro; já tendo redigido seções de ciências em outras revistas brasileiras — o autor desta crônica propõe-se focalizar a evolução dos estudos e pesquisas científicas que se veem realizando no Brasil, durante êstes últimos anos. No seu artigo inicial, salienta êle o muito que temos avançado nêsse terreno, ainda mal conhecido do público; o estimulo e amparo que os novos cientistas brasileiros — outrora tolhidos em seus entusiasmos e iniciativas — encontram agora nos poderes públicos e no ambiente de sadia compreensão que hoje os envolve. Há, no Brasil Novo, uma febre de estudos e investigações, de que resultarão incalculáveis benefícios para a nossa cultura e para a nossa própria segurança. O apoio governamental, o aumento de recursos técnicos, orientados para o melhor aproveitamento das nossas riquezas intelectuais e materiais — são traços característicos da nova era científica que vivemos. Trazer isso permanentemente ao conhecimento do público; mostrar, mês a mês, o que se vem produzindo em nosso pais, para a maior progresso da técnica e das ciências teóricas e experimentais — é a finalidade desta seção.” (Apresentação do autor In. VIEIRA PINTO, 1941, p.265)

1945? Torna-se como professor de “Lógica Matemática” na FNFi

  • “Alceu Amoroso Lima, então reitor da Universidade do Distrito Federal, indica-o para ministrar na antiga Faculdade de Filosofia o curso de Lógica Matemática pela primeira vez oferecido no país.” (CÔRTES, 2003, p.316)
  • “À convite do Pe. Maurílio Teixeira Leite Penido passa a lecionar Lógica na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.” (CÔRTES, 2003, p.316-317)
  • “(…) sendo, então, indicado por Leonel Franca para ensinar Lógica Formal, no âmbito da cadeira de Lógica, sob sua responsabilidade na recém-fundada FNFi, onde tornou-se assistente da cátedra de Filosofia, regida pelo Professor Leite Penido, tornando-se, em 1950, catedrático de História da Filosofia, substituindo o Professor René Poirier – que havia retornado à França.” (MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.114)
  • “Além da influência do Pe. Maurílio T. L. Penido e da amizade com o físico Plínio Susekind Rocha, Vieira Pinto conviveu com os professores Émile Bréhier, que foi professor da UDF [Universidade do Distrito Federal], e René Poirier, que foi responsável pela cadeira de História da Filosofia na FNFi, com quem pode discutir a hipótese central de sua tese de cátedra: de que na concepção de phýsis, exposta no Timeu e nas Leis já está contido o princípio da inércia, incluído na estrutura de seu “sistema de Natureza”.” (MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.115, adição nossa)
  • “No volume de Depoimentos da obra de Maria de Lourdes A. Fávero, Evaristo de Moraes Filho faz menção aos cursos ministrados por Émile Bréhier na UDF: “Naquela época, entrevistei, para a revista [A Época], Émile Bréhier, em 1936, que foi o grande historiador da filosofia, e que foi professor da UDF até que foi extinta.” (p. 217). Em seguida, falará dos inícios da FNFi e de sua experiência como aluno do curso de Filosofia, fazendo menção aos professores com os quais conviveu. Sobre René Poirier e Álvaro Vieira Pinto, dirá: “Entrei em 39; as aulas começaram dois meses depois do vestibular, […]. Vários professores estrangeiros tinham sido contratados para a FNFi, e bons professores: História da Filosofia: René Poirier, o único vivo até hoje, era um grande pensador e filósofo; […]. Então, nós tínhamos: Introdução à Filosofia, Pe. Penido; Lógica – um assistente do Pe. Penido começando a carreira: Álvaro Vieira Pinto, que era médico, trabalhando com pesquisa de câncer. Não sei porque, talvez por ser amigo do Santiago Dantas, foi para lá ensinar Lógica. Na época ele só dava Lógica Formal; História da Filosofia: René Poirier […]. E no 2.o. ano de Filosofia, em 46, lecionavam o Pe. Penido – Teoria do Conhecimento –, História da Filosofia era dada pelo Vieira Pinto, no lugar do Poirier. Ele se especializou nos idealistas: Platão, Kant e Husserl, nos mundos antigo, moderno e contemporâneo, respectivamente. A tese dele para catedrático de História da Filosofia, em 1950, foi sobre a dinâmica no Timeu, de Platão.” (p. 218-221).” (Evaristo de Moraes Filho In. MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.115)
  • “O relato de Evaristo de Moraes Filho será completado, no que tange às informações sobre Vieira Pinto, pelo depoimento de Jade de Medeiros Brito: “O fato é que, ao chegar a Faculdade, já encontrei, desde a primeira série, uma certa antinomia: duas linhas de pensamento que foram se aprofundando ao longo do Curso. O posicionamento realista, aristotélico-tomista e o posicionamento idealista. Representando essas duas linhas, as figuras mais importantes eram: de um lado, o padre Penido (Maurílio Teixeira Leite Penido), teólogo com vários livros publicados, aristotélico-tomista, bergsoniano, um pensador católico dentro do curso de Filosofia; ao lado de Eduardo Prado, Celso Lemos e outros professores, todos da mesma orientação. De outro, Vieira Pinto. Esse foi realmente o professor que mais me marcou no Curso de Filosofia, como depois do Curso, pois continuei acompanhando as aulas dele. Foi com quem mais aprendi. […]. Vieira Pinto não ficava preso às notinhas. Vieira Pinto era aquela erudição e ele amava, vivia a Filosofia. Ele degustava o que estava transmitindo. […]. Após minha formatura em 55, lembro-me que continuei a acompanhar as aulas dele, […].” (Jade de Medeiros Brito In. MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.115)

1949  Publica artigo “Considerações sobre a lógica do antigo estoicismo”

  • “Em 1949, no número inaugural da Revista da Faculdade Nacional de Filosofia, Vieira Pinto publica “Considerações sobre a lógica do antigo estoicismo”, artigo sobre história da filosofia que discute a origem dos fundamentos da lógica moderna.” (CÔRTES, 2003, p.317-318)

1949-1950  Vai à França e estuda na Sorbonne

  • “Não tinha feito nenhum curso de Filosofia, tinha apenas estudado muito, em livros todos eles de orientação tomista evidentemente, porque fiz o curso que havia no Colégio Santo Inácio, com a duração de um ano de Filosofia, coisa que era uma novidade naquela época. Depois de quatro anos na Faculdade Nacional de Filosofia, pude então ir à Europa onde fui estudar na Sorbonne, o tempo suficiente para ver e sentir o ambiente filosófico de Paris. (…) Isso foi em 1949”. (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.14)
  • “Na França fiquei quase um ano estudando; aí eu já tinha em mente o tema da minha tese, para defesa da cátedra na Faculdade de Filosofia na volta. Foi a tese sobre a cosmologia de Platão. Dei duas conferências sobre essa tese lá em Paris que foi discutida, muito comentada. Recolhi material e com isso fiz o meu trabalho aqui no Brasil para apresentá-lo na Faculdade [Nacional de Filosofia].” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.14-15, adição nossa)
  • “Saviani — O seu estudo na Europa foi só na França ou em algum outro país mais?
    Vieira Pinto — Não. Visitei outros países: Itália, Espanha, Portugal, mas estudo só na França.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.15)
  • “A atividade docente marca o ponto de partida na produção de suas ideias, (…). Esta trajetória começa em 1949. Quando surge a oportunidade de realizar um ano de estudos na França, na Soborne. Ao longo desse ano de estudos, escreve a tese sobre Platão e, quando volta para o Brasil (1950), apresenta-a para a banca, que a aprova, incondicionalmente, e permiti-lhe o acesso à titularidade de professor catedrático na cadeira de História da Filosofia na Faculdade Nacional de Filosofia (…)”. (FÁVERI, 2014, p.95)
  • “Vieira viaja para a Europa onde permanece durante um ano estudando na Sorbonne. Em contato com o ambiente filosófico europeu do pós-guerra, prepara o seu ensaio sobre o Timeu de Platão (tese posteriormente apresentada no concurso para a cátedra de filosofia). Este ensaio foi discutido e aprovado por vários helenistas consagrados e à primeira vista trata de uma questão técnica a respeito da passagem 43b do Timeu, propondo uma tradução mais adequada ao trecho original. Ela se inscreve na tradição da escola histórica alemã e está filiada às tentativas heideggerianas de estabelecer uma linguagem mais fidedigna do texto filosófico relativo ao seu contexto histórico.” (CÔRTES, 2003, p.318)

1949?-1950-1951  Retorna ao Brasil, apresenta tese para banca. Torna-se titular da cadeira de História da Filosofia na FNFi. Encerra seu trabalho como laboratorista.

  • “Recolhi material e com isso fiz o meu trabalho aqui no Brasil para apresentá-lo na Faculdade. Afinal, fui aprovado e nomeado para a Faculdade de Filosofia. Logo depois terminou o meu trabalho no laboratório de Biologia, porque o laboratório foi transformado em instituição privada, com o que não concordei. Fiquei então na Faculdade como professor, mas aí não mais de Lógica e sim de História da Filosofia, onde permaneci vários anos.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.14-15)
  • “Cf. VIEIRA PINTO, 1949, p. 10-35. A tese, embora, concluída e impressa (datilografada) com data de maio de 1949, foi defendida em 1950.” (MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.115 *em nota de rodapé)
  • “Vieira Pinto — Eu já era professor adjunto na Faculdade quando saí com uma licença especial para ir à Europa estudar. Fui, fiquei um tempo, voltei e reassumi a cadeira de História da Filosofia.
    […]
    Vieira Pinto — Sim, pois foi em 1951 que fiz o concurso e fui aprovado e nomeado professor catedrático.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.17)
  • “Ao retornar em 1950, torna-se o titular da cadeira de História da Filosofia da FNFi. Sua longa tese de livre-docência, Ensaio sobre a dinâmica na cosmologia de Platão, dedicada a San Thiago Dantas, deu origem a pequeno trabalho especial publicado na Revue des Études Grecques, e foi aprovada em grau máximo pela banca examinadora formada pelos seguintes professores: Nilton Campos, Leandro Ratsibona, Lívio Teixeira, José Barreto Leite e frei Damião Berge.” (CÔRTES, 2003, p.318)
  • “A tese, obra ainda inédita sobre o estudo da cosmologia de Platão, recebeu o título “Ensaio sobre a dinâmica na cosmologia de Platão”. (…) Segundo comentários de ex-alunos e estudiosos, ao apresentar este estudo à banca para obter o título de professor catedrático, seus componentes apenas limitaram-se a fazer alguns comentários sobre a pesquisa realizada por ele, por considerarem que não havia necessidade de arguir o candidato. Esse estudo sobre Platão foi muito discutido na França porque, lá, Álvaro proferiu conferências e suscitou debates sobre tal temática.” (FÁVERI, 2014, p.96)
  • “(…) sendo, então, indicado por Leonel Franca para ensinar Lógica Formal, no âmbito da cadeira de Lógica, sob sua responsabilidade na recém-fundada FNFi, onde tornou-se assistente da cátedra de Filosofia, regida pelo Professor Leite Penido, tornando-se, em 1950, catedrático de História da Filosofia, substituindo o Professor René Poirier – que havia retornado à França.” (MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.114)

1950-1955  Atuação como professor na Universidade

  • “Por aproximadamente cinco anos atuou na Universidade do Brasil” (FÁVERI, 2014, p.96)
  • “Saviani — Como professor de História da Filosofia qual era a orientação filosófica que o senhor desenvolvia nos cursos?
    Vieira Pinto — Era uma orientação exclusivamente pragmática, quer dizer, eu dava o curso seguindo os manuais da filosofia comum, idealista, mas sempre num nível superior e elevado, desenvolvia cronologicamente o pensamento. Porque eram 3 anos de filosofia grega, medieval, moderna e contemporânea. Isso tinha que ser dado em condições precárias, eu não tinha assistente algum. Mais tarde um ex-aluno tornou-se meu assistente, José Américo Pessanha, que dividiu comigo um pouco as atividades.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.17-18)
  • “Chama atenção a unanimidade dos ex-alunos entrevistados sobre o brilhantismo do docente Vieira Pinto, tanto na clareza quanto na profundidade com que abordava os temas definidos em aula.” (FÁVERI, 2014, p.96)
  • “A precisão com que abordava o conteúdo, em conformidade com o tempo disponível, era uma espécie de sincronia perfeita que, chamava a atenção dos alunos. Além do que, os argumentos construídos eram de extrema fidedignidade ao pensamento do filósofo abordado. Como salienta o ex-aluno Wanderley Guilherme, no seu depoimento, “o professor Álvaro, ao abordar o pensamento de Platão, chegávamos a acreditar e mesmo a nos convencer de que éramos todos platônicos”. Dessa forma, é possível compreender a sua adesão ao platonismo, que depois passa para o existencialismo, o kantismo e, por fim, ao idealismo, principalmente na obra do Senhor e o Escravo, de Hegel. Esse é o indicativo mais explícito de que Vieira Pinto não se fixou na leitura de Marx, mas as suas fontes eram variadas, até chegar a era ISEB e se fixar na produção de seu pensamento e de sua obra comprometida com a compreensão crítica da realidade nacional.” (FÁVERI, 2014, p.96)
  • “A atividade de docência foi marcada por duas etapas distintas: a primeira, quando desempenhou as atividades de professor antes de conseguir o título de catedrático e, mais tarde, como professor catedrático na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde ele mesmo, em entrevista ao professor Saviani, afirma que tinha de se ater ao programa de ensino e, por isso, tinha disponível pouco tempo para fazer a análise crítica do conteúdo que ensinava. (…) Na primeira etapa, deteve-se num estudo aprofundado dos princípios filosóficos que eram conteúdo de suas atividades de docência no ensino de História da Filosofia e que, mais tarde, tornariam-se o suporte para organizar suas ideias.” (FÁVERI, 2014, p.96 – 97)

1951  Publica tradução do Poema de Parmênides

  • “Em março de 1951, publicou na revista estudantil do Diretório Acadêmico da FNFi sua tradução fielmente literal do Poema de Parmênides.” (CÔRTES, 2003, p.318)
  • “Em meados de 1951, Vieira se afastou da pesquisa médica e passou a se dedicar exclusivamente ao ensino e ao estudo da Filosofia.” (CÔRTES, 2003, p.318)

1952  Publicada Note sur la traduction de Platon, Timée 43 b, na revista francesa Revue des Études Grecques

  • “(…) em 1952, na Revue des Études Grecques, [publica] um pequeno comentário ao passo 43b, do Timeu, no qual propõe uma leitura das dificuldades de tradução (…)“ (MORAES AUGUSTO, 2009/10, p.116, adição nossa)

1954  Apresenta relatório sobre atividades que desenvolvidas no Paraguai, na Faculdade de Filosofia de Assunção

  • “O relatório apresentado em 1954, pelo professor Álvaro Vieira Pinto, sobre as atividades que desenvolveu na Faculdade de Filosofia de Assunção, não deixa dúvidas sobre a importância e significado desempenhado pela Missão Cultural e pelos professores brasileiros no Paraguai: (…) (Ofício nº299, de 12/nov/1954, da Embaixada Brasileira para a Secretaria do Estado das Relações Exteriores (Arquivo Histórico do Itamarati. Rio de Janeiro).” (MORAES, 2000)

1955  Começa a chefiar o Departamento de Filosofia do ISEB

  • “Por aproximadamente cinco anos atuou na Universidade do Brasil e, com a criação do ISEB, em 1955, foi convidado por Roland Corbisier para assumir o Departamento de Filosofia uma vez que já fazia parte do conselho consultivo do mesmo órgão.” (FÁVERI, 2014, p.96)
  • [Teve] seu nome aprovado para o conselho consultivo quando da criação do ISEB. Aproximadamente um ano depois, em 14/05/56, inaugura o primeiro curso regular, escreve e profere o discurso “Ideologia e Desenvolvimento Nacional”, que o próprio Instituto viria a publicar como um dos seus primeiros escritos sobre o assunto. Permanece no cargo até assumir a diretoria executiva, sendo substituído por Wanderley Guilherme dos Santos.” (FÁVERI, 2014, p.97, adição nossa)
  • “Em 1955, preterindo ao projeto de confecção de uma enciclopédia brasileira de filosofia com Euralo Canabrava (…) Vieira aceita o convite de Roland Corbisier para chefiar o Departamento de Filosofia do recém-criado Instituto Superior de Estudos Brasileiros [ISEB]” (CÔRTES, 2003, p.318)
  • “A atividade de docência [de Vieira Pinto] foi marcada por duas etapas distintas: (…) A segunda etapa é aquela que coincide com sua permanência como docente no ISEB. Foi nesse período que organizou as análises que compõe sua vasta e importante contribuição para a organização do pensamento filosófico brasileiro. (…) no tempo do ISEB, podia dedicar-se aos princípios filosóficos gerais para fundamentar sua análise da realidade do país, à qual dedica todos os seus estudos dali para frente. Podemos dizer que Vieira Pinto é um filósofo que empreende uma dinâmica de pensamento dialético aplicado à realidade concreta do Brasil para compreendê-la e propor alguma perspectiva de superar as problemáticas inerentes à sua época.” (FÁVERI, 2014, p.96–97, adição nossa)

1955-  Trabalho no ISEB

  • “Essa relação [entre Maria Aparecida Fernandes e Álvaro Vieira Pinto] iniciou-se no ISEB, onde ela ocupava o cargo de secretária, desde sua criação junto com a irmã Lourdes que era escrituária do mesmo órgão.” (FÁVERI, 2014, p.94, adição nossa)
  • “Ela [Maria Aparecida Fernandes], recordando [em 1982] com entusiasmo seu trabalho no ISEB, do qual foi a primeira funcionária, responsabilizando-se pelos serviços de secretaria. Foi lá que ela conheceu Vieira Pinto, com quem – afirma agora amorosamente – ela implicava porque era quem mais lhe dava trabalho; aparecia freqüentemente com longos manuscritos para ela datilografar.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.12, adições nossas)
  • “Vieira Pinto — Depois entra outro período [de atividade de docência para Álvaro Vieira Pinto], que é o do aparecimento do ISEB, e o convite casual que recebi de Roland Corbisier, para ser professor de Filosofia no ISEB. Isto em 1955. Com a entrada para o ISEB fui mudando aos poucos de orientação, fui tomando uma orientação mais objetivista, menos idealista e deixando de lado toda aquela forma clássica de ensinar História da Filosofia, que era puramente repetir o que o outro disse. Passei a fazer uma exposição sobre o autor e depois a crítica, o que me dava oportunidade de alargar mais o meu campo de pensamento, embora sem jamais ter chegado a impor a ninguém qualquer idéia extremista, ou qualquer idéia que julgava tal, que fosse considerada indevida num currículo de Filosofia. Na Faculdade de Filosofia jamais saí da linha puramente ortodoxa do ensino da Filosofia; o que fazia era seguir os autores, naturalmente que se o autor dissesse alguma coisa com a qual eu não concordava tinha que dizer o mesmo, porque a minha obrigação era ensinar, não o que eu pensava, mas o que os outros pensavam. Então eu tinha que repetir, resumir, repetir e depois fazer alguma crítica, mas muito pouco elaborada, porque senão eu perderia muito tempo na crítica e acabava não podendo adiantar a matéria.
    Saviani — O senhor assumiu a perspectiva existencialista?
    Vieira Pinto — Realmente, nessa época, como estava numa transição rápida, eu assumi muitas das posições existencialistas que não conhecia até então, e assim tive oportunidade de sentir o que havia de verdade nelas, não apenas no sistema que apresentavam, mas nos conceitos que se podiam aproveitar e procurava formular por mim novas maneiras de expor certas idéias de ordem humanista, de ordem historicista e nacionalista; e acabou sendo o oposto do próprio existencialismo, mas que tinha tirado do existencialismo, no sentido de que via a realidade do homem passando por aquela situação e chegando a outras conclusões. Depois, quando fecharam o ISEB, fui para o exílio.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.18-19)

1956  Ministra a aula inaugural do ISEB e Ministra aulas no Paraguai

  • “Em maio de 1956, através do Itamaraty e a convite do embaixador do Brasil no Paraguai, Negrão de Lima, Álvaro Vieira Pinto leciona na Universidade Colombiana e também na Universidade Nacional do Paraguai, onde recebe o título de doutor honoris causa.” (CÔRTES, 2003, p.319)
  • “Em 14 de maio de 1956, no auditório do prédio do MEC, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, proferiu a aula inaugural do ISEB: “Ideologia e desenvolvimento nacional”.” (CÔRTES, 2003, p.319)

1957  Publicação de Filosofia Acual

  • “Em maio de 1956, através do Itamaraty e a convite do embaixador do Brasil no Paraguai, Negrão de Lima, Álvaro Vieira Pinto leciona na Universidade Colombiana e também na Universidade Nacional do Paraguai, onde recebe o título de doutor honoris causa. Por iniciativa da missão cultural brasileira, as anotações de seus alunos em Assunção foram publicadas no ano seguinte sob o título Filosofia Actual. Revista e aprovada pelo autor, esta apostila é uma notável exposição da fenomenologia, do existencialismo e das principais idéias de Kierkergaard, Heidegger, Sartre e Karl Jaspers.” (CÔRTES, 2003, p.319)
  • “No mês de abril de 1957, como resultado de um curso dado por Vieira Pinto sobre Filosofia em Assunción, batizado como Missión Cultural Braisliana, foram publicadas, por José Maria Rivarola Matto, anotações de aulas, composto de 145 páginas, como título Filosofia actual, que se encontra na língua espanhola, ainda inédito no Brasil.” (FÁVERI, 2014, p.99)
  • “Álvaro Vieira Pinto estava totalmente envolvido por esse revival historicista-fenomenológico-existencialista. Em 1956, meses antes de assumir a chefia do Departamento de Filosofia do ISEB, ofereceu um curso na Universidade de Assunção sobre a Filosofia Atual, onde deu aulas sobre esse percurso filosófico que vai de Kant a Jaspers. Os temas dessas lições de Assunção ressurgem quando ele traduz e publica, pelo ISEB, Razão e anti-razão de Karl Jaspers (o primeiro título da coleção Textos de Filosofia Contemporânea que o Insituto pretendia editar, mas não chegou a ir adiante); também serão retomados em 1960, em Consciência e realidade nacional, e continuarão presentes em Ciência e Existência, que escreveu em 1967 no Chile, já no exílio.” (CORTES, 2006, p.298-299)

1958  Publica a tradução o livro Razão e anti-razão de Jaspers e escreve a Introdução deste.

  • “Além de traduzir o livro, escreveu a “Introdução” Razão e anti-razão em nosso tempo, de Karl Jaspers, publicado pelo ISEB em 1958. Assim, iniciava a coleção Textos de Filosofia Contemporânea do ISEB, cujo plano editorial pretendia traduzir os pensadores mais representativos das correntes filosóficas então em voga — Gabriel Marcel, Sartre, Ortega y Gasset, A. J. Ayer, Lucaks, Lefevre e outros.” (CÔRTES, 2003, p.320, grifo da autora)
  • “Em 1956, meses antes de assumir a chefia do Departamento de Filosofia do ISEB, ofereceu um curso na Universidade de Assunção sobre a Filosofia Atual, onde deu aulas sobre esse percurso filosófico que vai de Kant a Jaspers. Os temas dessas lições de Assunção ressurgem quando ele traduz e publica, pelo ISEB, Razão e anti-razão de Karl Jaspers (o primeiro título da coleção Textos de Filosofia Contemporânea que o Insituto pretendia editar, mas não chegou a ir adiante); também serão retomados em 1960, em Consciência e realidade nacional, e continuarão presentes em Ciência e Existência, que escreveu em 1967 no Chile, já no exílio.” (CORTES, 2006, p.298-299)
  • “Vieira Pinto apresentou a coleção e a intenção de publicar posteriormente os mais representativos pensadores das principais correntes filosóficas do período, isto é, a filosofia da existência (em seu diálogo com), o marxismo e, finalmente, a filosofia analítica. O plano editorial não chegou a ser realizado, mas estavam previstos os lançamentos de livros de Gabriel Marcel, Jean Paul Sartre, A. J. Ayer, Ortega y Gasset, Lefêvre e Lukács.” (CÔRTES, 2006, p.299)

1959  Prefacia livro de Michel Debrun

  • “Em 1959, ainda como chefe do departamento de Filosofia, prefacia, a convite de Michel Debrun, a obra de duzentas e oitenta quatro páginas de sua autoria intitulada “Ideologia e realidade”, publicada pelo ISEB, no Rio de Janeiro, no mesmo ano.” (FÁVERI, 2014, p.99)

1960  Encontra-se com Jean-Paul Sartre

  • “Ontem, pela manhã, conversaram no bar do Hotel Miramar, em Copacabana, com o filósofo Jean-Paul Sartre, os Professores Rolan Corbisier, Álvaro Vieira Pinto e Cândido Mendes de Almeida. A conversa, que durou mais de três horas, versou sobre nacionalismo e colonialismo.” (ÚLTIMA HORA, 30 de agosto de 1960)

1960-1961  Escreve Consciência e Realidade Nacional

  • “Na chefia do Departamento de Filosofia do Instituto, inicia a confecção de “Gênero e formas da consciência nacional”. Publicado em dois grandes volumes — o primeiro em setembro de 1960 e o segundo em junho de 1961 — sob o título de Consciência e realidade nacional (…) Motivo de rápida reação do público especializado, entre maio de 1962 a abril do ano seguinte, CRN foi objeto de vários comentários críticos.” (CÔRTES, 2003, p.320, grifo da autora)
  • Nos meses de setembro e outubro de 1960, foi impresso, na cidade do Rio de Janeiro, pela Escola Técnica Nacional, do Ministério da Educação e Cultura, para o ISEB, responsável pela publicação da obra composta por dois volumes, Consciência e realidade nacional, de autoria de Álvaro Vieira Pinto. O primeiro volume foi impresso e publicado no mês de setembro de 1960, composto de quatrocentas e trinta páginas; o segundo volume foi impresso e publicado no mês de junho de 1961, composto de seiscentas e trinta nova páginas.” (FÁVERI, 2014, p.99)

1961  Assume a diretoria executiva do ISEB

  • “(…) no período em atuou como diretor do ISEB (1961-1964)” (LIMA, 2015, p.101)
  • “assume o posto de diretor executivo [do ISEB] no lugar de Roland Corbisier” (FÁVERI, 2014, p.99, adição nossa)
  • “Nesta mesma ocasião, Roland Corbisier foi eleito deputado estadual constituinte pelo Partido Trabalhista Brasileiro, deixando vaga a direção executiva do ISEB. O Ministro da educação indicou Álvaro Vieira Pinto para ocupar cargo. Ao assumir o Instituto, Vieira enfrentou graves problemas financeiros somados a uma feroz campanha difamatória incessantemente movida por grupos de direita e pela imprensa.” (CÔRTES, 2003, p.320)
  • “(…) desde 1961 as verbas para o Instituto tinham sido cortadas, deixando todo o
    projeto vulnerável.” (LOVATTO, 2010, p.97)
  • ‘SODRÉ (1978) ao referir-se a essa campanha de difamação promovida contra o ISEB fala do corte de verba: “Em 1961, o ISEB ficaria privado de sua verba orçamentária, era excluído do orçamento. Ocorrera na Câmara, tão simplesmente, a subtração, nas folhas do Ministério da Educação, do item referente ao ISEB; a rubrica ISEB desaparecera. Quando, ao iniciar os seus trabalhos, em 1961, o ISEB planejou suas atividades, a administração deparou a extraordinária singularidade: não dispunha de verba para coisa alguma. (…) Com redobrado esforço e sacrifício dos professores, foram impulsionados os cursos extraordinários, os seminários, as conferências, no ISEB ou fora dele. Nunca trabalhamos tanto” (SODRÉ, 1978: 64).’ (em LOVATTO, 2010, p.97)
  • “Permanece no cargo [de Diretor de Filosofia] até assumir a diretoria executiva, sendo substituído por Wanderley Guilherme dos Santos.” (FÁVERI, 2014, p.97, adição nossa)
  • “O papel do ISEB foi fundamental porque o instituto tinha passado por mudanças significativas no início dos anos 1960. Depois de uma fase marcada pelo nacional-desenvolvimentismo, o último ISEB, como ficou conhecido, passou à direção de Álvaro Vieira Pinto, a partir de 1962. Essa fase correspondeu às lutas pelas Reformas de Base e a conseqüente radicalização política do período. Outro nome marcante desta fase do instituto foi Nelson Werneck Sodré. O primeiro propôs o projeto que originou os Cadernos do povo brasileiro e o segundo propôs a coleção História Nova do Brasil. Estes aspectos serão aprofundados adiante.” (LOVATTO, 2010, p.92)

1961-1962  Publica “A questão da universidade” e “Por que os ricos não fazem greve?”

  • “Este livro [A Questão da Universidade] de Álvaro Vieira Pinto foi escrito no alvorecer da década de 60 e publicado pela editora da UNE (União Nacional de Estudantes).
    Seu conteúdo é a expressão viva da coragem e idoneidade intelectual do autor. De forma serena e refletida constitui, no entanto, um libelo de certo modo violento ao elitismo, conservadorismo, arcaísmo e alienação das estruturas universitárias a serviço da dependência cultural imposta pelos interesses dos grupos que dominam economicamente e, por consequência, impõem seu poder ao conjunto da sociedade.” (Introdução de Demerval Saviani escrita em dez. 1985 apud VIEIRA PINTO, 1986, p.5, adição nossa)
  • “É importante situar e datar o livro [A questão da Universidade]. Escrito em 1961, situa-se no bojo do processo que então se caracterizava como pré-revolucionário. Esta situação demarca as lutas da época. A sociedade tendia a se polarizar entre os que se colocavam a favor do objetivo revolucionário empenhando-se em tornar realidade a tendência em curso e aqueles que se colocavam contra, procurando preservar a ordem vigente e se utilizando de todos os recursos disponíveis para frustrar os intentos transformadores.” (Introdução de Demerval Saviani escrita em dez. 1985 apud VIEIRA PINTO, 1986, p.5, adição nossa)
  • Em 1962, fez publicar dois livros: A questão da universidade e Por que os ricos não fazem greve? O primeiro resulta de conferências feitas em Belo Horizonte, publicadas pela Editora Universitária, formada por lideranças estudantis ligadas à União Metropolitana e à UNE, enquanto o último é uma publicação da série Cadernos do Povo Brasileiro, cuja coordenação Vieira Pinto assumiu a convite de Ênio Silveira.”  (CÔRTES, 2003, p.320, grifos da autora)
  • “No início dos anos 60, época das grandes mobilizações de massa para as reformas de base, entre elas a do ensino, Vieira Pinto produz a obra A questão da universidade, originária de uma conferência proferida em Belo Horizonte e publicada naquele ano pela UNE. A obra é composta por cento de duas páginas e mais tarde publicada pela Editora Cortez. Parece que essa obra foi produzida em 1962.” (FÁVERI, 2014, p.99)
  • “Nesse mesmo ano [1962], Vieira Pinto produz e publica, pela editora Civilização Brasileira, Por que os ricos não fazem greve, composta de centro e dezoito páginas, obra que faz parte da coleção Cadernos do Povo Brasileiro.” (FÁVERI, 2014, p.99, adição nossa)
  • “[…] aquele livro [A questão da Universidade] foi uma conferência que fiz em Belo Horizonte e depois a diretoria da antiga UNE me pediu para publicar.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.22, adição nossa)

1962  Assina documento “Por que votar contra o parlamentarismo no plebiscito?” para o ISEB

  • “Representando a Congregação de Professores e Alunos do ISEB, Álvaro Vieira Pinto ficou responsável por redigir, publicar e divulgar amplamente no Brasil, o documento composto de trinta e uma páginas intitulado “Por que votar contra o parlamentarismo no plebiscito?”, publicado em nome do e pelo ISEB, em 19 de outubro de 1962, no Rio de Janeiro.” (FÁVERI, 2014, p.99)
  • “Por iniciativa do Ministério da Educação, cujo titular era Darcy Ribeiro, o ISEB, entidade ligada à burocracia do ministério, foi encarregado de confeccionar um panfleto para o convencimento do público quanto à necessidade de reversão ao sistema presidencial. O resultado foi Por que votar contra o parlamentarismo no plebiscito?, assinado por Álvaro Vieira Pinto, diretor da entidade. O panfleto foi aprovado pela congregação de professores do ISEB no dia 24 de outubro. Quando começou a circular com mais vigor, em dezembro, gerou protestos de setores conservadores no Congresso” (MELO, 2009, p.162)
  • “Mas, antes de tais declarações, o panfleto isebiano foi também alvo de campanha difamatória dos jornais conservadores. No início de dezembro, O Globo estampou a manchete “Dinheiro da Nação custeia propaganda comunista do ISEB”, e em reportagem afirmou tratar-se de um “manifesto vazado em termos perfeitamente harmônicos com a doutrina comunista”. Dando sequência à campanha difamatória contra o ISEB, O Globo publicou uma pequena reportagem, que vale a pena ser reproduzida:” (MELO, 2009, p.162)
  • “O diretor do ISEB, sr. Álvaro Vieira Pinto, declarou ontem a O GLOBO que a entidade se reserva o direito de não revelar a origem de sua brochura Por que votar contra o parlamentarismo no plebiscito?, que foi impressa sob encomenda do Ministro da Educação, Darcy Ribeiro.
    A publicação está vazada em dialética tipicamente comunista, e tem sido amplamente distribuída em órgãos públicos, organizações estudantis, entidades e ao público em geral. Inquirido a respeito do custo da publicação, de que verba saiu o pagamento e se há outros trabalhos encomendados, disse o sr. Álvaro Vieira Pinto que, sendo o ISEB um órgão diretamente subordinado ao Ministro da Educação, a este competia a divulgação de fatos referentes à vida e atividades da entidade.”
    (Jornal O Globo, 5 de dezembro de 1962, p.7 apud MELO, 2009, p.163)
  • “Mas ao lado deste tipo de campanha ideológica, também tiveram vez ações mais extremadas contra o panfleto do ISEB e os próprios diretores da entidade, como as do governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e do DOPS local. Segundo O Semanário, o panfleto isebiano foi objeto de perseguição da Polícia Política da Guanabara. (…) Tanto Lacerda como os agentes do DOPS tentaram negar a prisão de Álvaro Vieira Pinto e a tentativa de apreensão do panfleto, mas o advogado de defesa do diretor do ISEB reafirmou a existência da ação arbitrária e a invasão da Gráfica Lux (onde foi impresso o panfleto), onde se tentou “apreender centenas de exemplares que lá se encontravam, bem como as matrizes tipográficas”. Tal ocorrido motivou o órgão da Frente Parlamentar Nacionalista a publicar em primeira mano todo o panfleto. “Em primeira mão na impressa do país o folheto proibido do ISEB”, assim noticiou O Semanário na capa de sua edição de número 315.” (MELO, 2009, p.163)
  • “Segundo a pesquisadora Alzira Alves Abreu, o mesmo [panfleto, Por que votar contra o parlamentarismo no plebiscito?] foi na verdade redigido pelo chefe do Departamento de História do ISEB, Osny Duarte Pereira* — um jurista nacionalista, identificado com as campanhas pelo petróleo e colaborador permanente de O Semanário —. sendo sua assinatura por Álvaro Vieira Pinto (diretor do ISEB) talvez uma estratégia para reafirmar que seu conteúdo era aprovado por todo o instituto. Trata-se de um documento dividido em trinta e seis pontos, iniciando com uma reflexão histórica sobre as formas de governo, desde a Antigüidade clássica, passando logo em seguida pela China imperial, onde, segundo o autor, teria tido origem a idéia de divisão de poderes. Em seu conjunto, o panfleto se divide em argumentos antiparlamentarisrtas que envolvem uma justificativa ou razão histórica, uma razão jurídica e uma razão política na orientação do voto do leitor.” (MELO, 2009, p.164-165, adição nossa) (* em nota de rodapé consta: (ABREU, Alzira Alves. “Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb).” In. FERREIRA & AARÃO REIS, As esquerdas no Brasil. op. cit., p.409-432, a informação está na página 430)

1963  Publica “Indicações metodológicas para  a definição de subdesenvolvimento”

  • “Em julho de 1963, publica, pela Revista Brasileira de Estudos Sociais do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais, o artigo “Indicações metodológicas para  a definição de subdesenvolvimento”.”  (CÔRTES, 2003, p.320-321, grifos da autora)
  • “Em meio a essa mobilização nacional populista, em 1963, desencadeia-se uma campanha anti-isebiana através dos meios de comunicação e, em meio a esta agitação social, Álvaro Vieira Pinto, escreve um artigo de vinte sete páginas, em julho de 1963, publicado na Revista Brasileira de Ciências Sociais, de publicação quadrimestral, no vol. III de julho de 1963 – n.2, p.242-279, com o título “Indicações metodológicas para a definição do subdesenvolvimento”, para responder às críticas de leitores e estudiosos contrários a sua concepção de subdesenvolvimento.” (FÁVERI, 2014, p.99-100)  

1963 Integra comissão diretora do Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI)

  • “Álvaro Vieira Pinto foi também integrante da comissão diretora do Comando dos Trabalhadores Intelectuais, criado em 07 de outubro de 1963.” (LIMA, 2015, p.102)
  • “O Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI) foi criado em 7 de outubro de 1962, com a proposta de “coordenar os vários campos em que se desenvolve a luta pela emancipação cultural do país – essencialmente ligada às lutas políticas que marcam o processo brasileiro de emancipação econômica (MORAES, 2011, p.53)”. Eram 13 integrantes da comissão diretora. Vieira Pinto fez parte desse grupo.” (LIMA, 2015, p.108)
  • “Quanto à atuação do CTI, Ênio Silveira explica que: (…) “com o tempo, dada a nossa atuação em reuniões e atos públicos, passamos a ser considerados uma espécie de sindicato dos intelectuais. Como desgraçadamente veio o golpe, o CTI não chegou a ter maturação, embora tenha procurado colaborar ao máximo na luta pela democracia, inclusive mostrando que os arroubos românticos em nada contribuíam para evitar o golpe. (SILVEIRA apud MORAES, 2011, p.54).” (em LIMA, 2015, p.108)
  • “Vieira Pinto, no quadro dos diversos grupos considerados de esquerda, como citamos, atuou no CTI como membro da comissão diretora. No ISEB, como diretor, criticou o modelo econômico de JK, participou das mobilizações pelas reformas de base, se aproximou das pautas da União Nacional dos Estudantes (UNE) e publicou a obra “A Questão da Universidade” que serviu de base e direção para os estudantes no debate sobre a reforma universitária.” (LIMA, 2015, p.108)

1963-1964  ISEB e a imprensa

  • “No Rio, o jornal O Globo mantém acesa campanha contra o ISEB. Em fins de janeiro de 1963, respondendo a uma solicitação do Centro de Portugueses do Ultramar, Vieira Pinto se recusa a receber no Instituto “qualquer agente de propaganda da tirania salazarista”. Meses depois, esse episódio serve de estopim para uma avalanche de insultos e acusações publicados na imprensa carioca. A Última Hora e o Diário de Notícias se lançam na defesa de Vieira Pinto e o proclamam um “democrata militante a serviço do povo e da causa de sua emancipação” (UH, 15/8/63) ”  (CÔRTES, 2003, p.321, grifos da autora)
  • “Depois que assumiu a diretoria executiva do ISEB, de modo especial no segundo semestre de 1963 e início de 1964, devido uma campanha massiva desencadeada nos meios de comunicação de massa com a intenção de difamar o instituto como baderneiro e comunista, para vinculá-lo aos movimentos de esquerda marxistas, Vieira Pinto sofreu uma perseguição implacável para ser preso, julgado e responsabilizado por atos de que era acusado no órgão que dirigia. Não tendo outra alternativa, pediu exílio na Iugoslávia e, com o apoio de seu irmão Arnaldo, escapou ao cerco dos policiais e embarcou para o exterior. Muitos livros foram incinerados e alguns manuscritos incompletos que o filósofo estaria escrevendo também desapareceram, segundo Mariza Urban.” (FÁVERI, 2014, p.94)
  • “A grande maioria dos isebianos compartilhava a mesma postura de Vieira Pinto nos compromissos da instituição e nos discursos, mas, na prática, quando se ratava de articular e defender publicamente a autenticidade ideológica do Instituto, muitos colegas não davam apoio à Vieira Pinto, acusando-o de traidor dos objetivos e da filosofia primeira a que se propunha o ISEB, no ato de sua criação. Basta ler a depoimento de Jaguaribe, quando perguntado sobre Vieira Pinto. Roland Corbisier, também, não deu apoio a Álvaro e ao ISEB. Mesmo ocupando uma cadeira no legislativo, não se esforçou em angariar recursos para ajudar o Instituto a sair da crise, por exemplo. E assim fizeram outros isebianos que movidos por diversos motivos, abandonaram o ISEB, quando esse não vinha ao encontro de seus interesses pessoais e profissionais. Somente Werneck Sodré continuou apoiando Álvaro, às vésperas do golpe.” (FÁVERI, 2014, p.100)

1964  Golpe militar no Brasil, extinção do ISEB e Casamento com Maria Aparecida Fernandes

  • “Com o golpe militar, o ISEB foi invadido e seu acervo, biblioteca e móveis inutilizados, espalhados pelos jardins da casa na Rua das Palmeiras, Botafogo. Em 13 de abril de 1964, o governo decreta a extinção do Instituto. Logo em seguida, é instaurado o IPM no qual são arroladas mais de 50 pessoas entre os professores, os Ministros da Educação Clóvis Salgado, Paulo de Tarso e Oliveira Brito, vários deputados e três Presidentes da República— JK, Jânio e João Goulart.”  (CÔRTES, 2003, p.321, grifos da autora)
  • “Nelson Werneck Sodré, Alex Vianni, Álvaro Vieira Pinto e eu descemos os trinta andares da Rádio Nacional pela escada de serviço, correndo. O golpe já estava dado, a UNE estava sendo incendiada, o jornal Última Hora tinha sido invadido e empastelado. Dirigi-me para a embaixada da Iugoslávia, cujo embaixador era um querido amigo. Chegamos na embaixada e a encontramos fechada (…) Assim que abriu entramos e ocupamos a embaixada como um asilo provisório. O embaixador chegou depois e confirmou que a situação estava mesmo ruim. Pedi para ficarmos lá por um tempo, umas horas, até que se definisse a situação. Ficamos vinte e quatro horas na embaixada da Iugoslávia, sem formalizar pedido de asilo; depois cada um foi para o seu destino.” (Ênio Silveira apud CÔRTES, 2003, p.321)
  • “Em 12 de junho de 1964, casou-se com Maria Aparecida Fernandes, que passou a ser chamada pelo mesmo nome, acrescido de Vieira Pinto. Essa relação iniciou-se no ISEB, onde ela ocupava o cargo de secretária, desde sua criação junto com a irmã Lourdes que era escrituária do mesmo órgão. Segundo parentes mais próximos, o casamento foi oficializado com separação de bens, em virtude da idade dos nubentes, acima dos cinquenta e cinco anos, antes de Álvaro sair do país às pressas. Segundo o que apuramos junto aos seus parentes, a decisão de casar deveu-se aos fato de ambos se sentirem mais em segurança, quando das adversidades que iriam passar no exílio, e a busca de um apoio legal útil frente à mudança radical de vida devido à perseguição militar que sofriam. Assim que se realizou o matrimônio, imediatamente abandonaram o país. Desse casamento não houve descendência.” (FÁVERI, 2014, p.94)

1964  Refúgio em Minas Gerais e pedido de asilo

  • “Cassado, Vieira se refugia. Em companhia de sua esposa, D. Maria, esconde-se no interior de Minas Gerais. Durante este período, por motivos de segurança adota o pseudônimo de Francisco Guimarães — um dos nomes fictícios com que mais tarde assinará diversas traduções para a Editora Vozes. Em setembro de 1964, ajudado novamente por Ênio Silveira, pediu formalmente asilo à Iugoslávia.” (Ênio Silveira apud CÔRTES, 2003, p.322)
  • “Não tendo outra alternativa, pediu exílio na Iugoslávia e, com o apoio de seu irmão Arnaldo, escapou ao cerco dos policiais e embarcou para o exterior.” (FÁVERI, 2014, p.94)
  • “Soubemos, então, que o professor Vieira Pinto partiu para o exílio em setembro de 1964.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11)

1964-1965  Exílio na Iugoslávia

  • “Vieira Pinto — Fui para a Iugoslávia e lá fiquei um ano totalmente inativo, sem poder dar aula, pois conhecia muito mal a língua. Depois de um ano fui para o Chile, por sugestão de Paulo Freire.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.19)
  • “[…] aprendi um pouco de sérvio-croata, quando estive no exílio na Iugoslávia, mas isso foi uma coisa efêmera, pois sabia que não precisava mais daquele estudo. Estudei para ler o jornal daquele país para saber as, notícias da nossa terra.”  (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.16)
  • “Na Iugoslávia Vieira vive uma amarga experiência de exílio. Aos 55 anos ele enfrenta extrema dificuldade para se adaptar e tenta romper seu isolamento iniciando o aprendizado do sérvio-croata. Porém, a despeito desses esforços, permanece inativo caindo em profundo retraimento.” (CÔRTES, 2003, p.322)
  • “Passou um ano na Iugoslávia, vivendo amargamente a experiência de exilado.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11) 
  • “[Vieira Pinto —] A crítica da existência é outro livro que está guardado, um volume só, incompleto, pois não pude continuar escrevendo o que desejava porque estava cansado.
    Saviani — Esse foi o último livro?
    Vieira Pinto — É o último e talvez o primeiro, porque eu comecei escrevendo o texto quando estava na Iugoslávia. Nada de maior a dizer, nada de maior a esperar a não ser que não se percam, que vocês jovens professores cuidem de procurar um dia talvez publicar essas coisas se merecerem.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.21, adição nossa)

1965  Ida pra exílio ao Chile

  • “Depois de um ano fui para o Chile, por sugestão de Paulo Freire. Ele conseguiu arranjar alguma coisa que eu pudesse fazer e de fato recebi convite para fazer conferências, organizadas por professores do Ministério da Educação juntamente com o Paulo Freire.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.19)
  • Após um ano sem trabalho, aceita a sugestão de Paulo Freire e viaja para o Chile.” (CÔRTES, 2003, p.322)

1966-1967  Ministra aulas e redige em espanhol o livro que viria a ser publicado futuramente com o nome de Ciência e Existência

  • “Saviani — Esse curso de conferências que o senhor preparou sobre educação em 1966, o senhor se lembra dos itens?
    Vieira Pinto — Educação, origem, base, finalidade, significado, técnicas, recursos, meios, como a realidade é modificada pela educação, todo problema geral da educação para adultos, para professores que educavam adultos, analfabetos, homens do campo geralmente. Dei conferências também para professores. Eram cursos extras de verão.”   (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.19)
  • “Vieira Pinto — Fiquei quase três anos no Chile, em fins de 68 voltei.” (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.20)
  • “No exílio, Álvaro Vieira Pinto produz duas obras quase que simultaneamente: [Ciência e Existência e El pensamento crítico en Demografia]  a primeira foi escrita em Santiago do Chile, oriunda de aulas gravadas e transcritas em 1966, que foi publicada em português somente em 1969, pela Editora Paz e Terra, do Rio de Janeiro, porque o CELAD não tinha interesse em publicá-la em Espanhol.” (FÁVERI, 2014, p.100-101)
  • “Saviani — O trabalho principal que o senhor fez no Chile, foram esses cursos?
    Vieira Pinto — Esses cursos e ao mesmo tempo também tinha conseguido que um amigo brasileiro que trabalhava no CELADE (Centro Latino-Americano de Demografia) me apresentasse à Diretora que me deu trabalho de tradução de alguns pequenos panfletos. Depois a Diretora resolveu me contratar a fim de escrever um livro sobre Demografia para o CELADE. Eu não sabia o que fazer porque não sabia nada sobre Demografia, mas acabei estudando e escrevi um livro sobre o pensamento crítico em Demografia, que dois anos depois o CELADE mandou editar, mas que não teve entrada no Brasil. Está difundido na América toda, menos no Brasil.
    Saviani — Foi editado só em espanhol?
    Vieira Pinto — Sim, só em espanhol.
    Vieira Pinto — Escrevi o livro em 8 meses. Considero um livro de grande importância para o meu pensamento; é um livro de grande significação.
    Vieira Pinto — […] No México foi muito lido, teve muita repercussão, foi muito procurado. Quando acabei esse livro, no ano seguinte a Diretora do CELADE me deu outro contrato para fazer outro livro. Aí é que eu escrevi o livro sobre Ciência e existência que não interessava ao CELADE publicar. Publiquei-o quando voltei ao Brasil, pela Editora Paz & Terra. E agora fico só com o que tenho guardado para publicar, mas é muita coisa”  (Álvaro Vieira Pinto em entrevista concedida a Dermeval Saviani, 1981 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.20-21)
  • “O presente trabalho [Ciência e Existência] foi escrito em Santiago do Chile durante o ano de 1967 no cumprimento de um contrato concedido ao Autor pelo Centro Latino-Americano de Demografia. Nele estão contidos alguns dos principais conceitos das aulas ministradas pelo Autor aos alunos do Curso Avançado daquele órgão das Nações Unidas.Esta edição brasileira reproduz o texto do original entregue pelo Autor àquele importante organismo especializado das Nações Unidas. A publicação desta obra foi autorizada pelo Centro Latino-Americano de Demografia.” (Dedicatória em VIEIRA PINTO, 1969, adição nossa)
  • “À Professora Carmen A. Miró, ilustre Diretora do Centro Latino-Americano de Demografia, o Autor deseja deixar consignado nestas linhas o seu agradecimento pelas amabilidades recebidas durante sua estada naquele Centro de estudos.” (Dedicatória em VIEIRA PINTO, 1969)

????  No Chile, contato com CELADE e escrita de El pensamiento crítico en demografia

  • “Em Santiago, ainda que seus familiares tentassem animá-lo, “Vieira Pinto se encaramujou no seu pessimismo”. Este quadro se altera quando o Centro Latino-Americano de Demografia, órgão da ONU, lhe encomenda um estudo — tarefa a que passa a se dedicar prontamente. Poucos meses depois, publica pelo CELADE El pensamiento crítico en demografia, livro que se tornou uma referência obrigatório sobre o assunto em toda a América espanhola.” (CÔRTES, 2003, p.322)

1966  Publica artigos em revistas chilenas

  • “Em fins de 1966, publica pequenos artigos em revistas universitários chilenas.” (CÔRTES, 2003, p.322)

1967  Ministra aulas no Chile

  • “Em fins de 1966, publica pequenos artigos em revistas universitários chilenas. No ano seguinte, o Centro Latino-Americano lhe propõe um novo contrato, e ele retoma suas atividades docentes, oferecendo o curso que mais tarde vai dar origem ao livro Ciência e Existência, só editado em 1969 quando já estava de volta ao Brasil.” (CÔRTES, 2003, p.322, grifo da autora)
  • “Ainda em 1967, a convite da Escola de Saúde do Chile, oferece curso de extensão a uma turma de médicos sanitaristas. Bem-sucedidas, as aulas foram gravadas e editadas.” (CÔRTES, 2003, p.322)

1967-1968  Redige El pensamiento crítico en Demografia para o CELADE

  • “No exílio, Álvaro Vieira Pinto produz duas obras quase que simultaneamente: [Ciência e Existência e El pensamento crítico en Demografia]  (…) A segunda obra surge quando ministrava o curso avançado no CELAD em parceria com a ONU. Vieira Pinto é apresentado por um amigo à diretoria do CELAD, que o contrata para escrever uma obra sobre demografia social. Em oito meses, entre os três anos em que esteve no exílio em Santiago, calcula-se que por volta de 1968, entrega o livro para o CELAD, com o título El pensamiento crítico en demografia, muito lido e discutido no México e em toda a América Latina. Foi publicado em Santiago no Chile, pelo CELAD, somente em 1973, totalizando quinhentas e cinquenta e cinco páginas, e ainda não foi traduzido para a língua portuguesa.” (FÁVERI, 2014, p.100-101, adição nossa)

1968  Retorno ao Brasil

  • “As saudades do Brasil, contudo, precipitaram sua volta, o que ocorreu em fins de 1968, portanto no período mais negro da ditadura militar, quando desabou sobre o país o famigerado AI-5. V. Pinto se recolheu em seu apartamento, onde se dedicou exclusivamente à incansável tarefa de redigir os manuscritos de um conjunto de obras até agora inéditas. ” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11)
  • “Em dezembro de 1968, às vésperas do AI-5, retorna ao Brasil. Isolado, assiste impotente ao pior período de arbítrio do regime militar.” (CÔRTES, 2003, p.322)
  • “Seus parentes de convívio mais próximos afirmam que Álvaro sentiu muita saudade do Brasil, tanto é que um advogado amigo da família, segundo Mariza, negociou com os militares sua volta ao país em pleno vigor do AI-05, o auge da perseguição e da irascível investida contra as liberdades individuais através da violenta repressão política aos subversivos e aos comunistas no país.” (FÁVERI, 2014, p.100)
  • “Depois de negociada sua volta, ficou proibido de realizar conferências e ministrar aulas na universidade. Nessa condição, recolhe-se ao seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, e realiza uma vasta produção.”  (FÁVERI, 2014, p.101)
  • Toda esta situação [de fuga do Brasil, perseguição política e exílio] deixou profundas sequelas em Vieira Pinto, tanto é que, em 1968, quando retorna ao país, deixa-se abater por uma profunda síndrome de medo, isolando-se em seu apartamento no Rio, onde produziu um fantástico conjunto de obras, algumas publicadas outras inéditas.” (FÁVERI, 2014, p.94, adição nossa)
  • “A primeira atividade de Vieira Pinto, depois de retornar do exílio, foi atuar na Editora Vozes, desempenhando novamente, por algum tempo, a atividade de tradutor, uma vez que dominava fluentemente doze línguas. Essa atividade, que já desempenhava em 1958 e no CELAD, em Santiago do Chile, durante o  exílio, começou com a tradução de folhetos, depois traduziu uma obra de quatrocentas e oitenta e quatro páginas do russo para o espanhol, com o título Critica de la teoria y la politica burguesas de la poblacion, do russo B.Ia. Smulevich. (…) Na Editora Vozes, realizou a tradução de 11 obras.” (FÁVERI, 2014, p.101)

1969  Publicação de Ciência e Existência

  • “Em fins de 1966, publica pequenos artigos em revistas universitários chilenas. No ano seguinte, o Centro Latino-Americano lhe propõe um novo contrato, e ele retoma suas atividades docentes, oferecendo o curso que mais tarde vai dar origem ao livro Ciência e Existência, só editado em 1969 quando já estava de volta ao Brasil.” (CÔRTES, 2003, p.322, grifo da autora)
  • “Em 1969, a editora Paz e Terra faz publicar Ciência e Existência. Problemas filosóficos da pesquisa científica. Livro que será reeditado várias outras vezes, pois passa a ser uma referência na bibliografia universitária sobre introdução à filosofia da ciência. Durante os anos de chumbo, além da recepção crítica da escola paulista, os escritos de Vieira Pinto são lidos por interposta pessoa, ou seja, através da obra de Paulo Freire que reconhece a influência de Vieira sobre a pedagogia do oprimido. Desta forma, a obra de Vieira é bem recebida apenas localizadamente, permanecendo dentro dos limites disciplinares da pedagogia e dos cursos de educação.” (CÔRTES, 2003, p.322-323)
  • “No exílio, Álvaro Vieira Pinto produz duas obras quase que simultaneamente: [Ciência e Existência e El pensamento crítico en Demografia] a primeira foi escrita em Santiago do Chile, oriunda de aulas gravadas e transcritas em 1966, que foi publicada em português somente em 1969, pela Editora Paz e Terra, do Rio de Janeiro, porque o CELAD não tinha interesse em publicá-la em Espanhol. Com o seu retorno ao Brasil em fins de 1968, o autor realiza a publicação pela referida Editora. Essa obra totaliza quinhentas e trinta sete páginas. Segundo Jorge Roux, em conversa com o pesquisador, a obra estava originalmente intitulada como O método científico, mas ficou acordado entre a editora e o autor à mudança do título para Ciência e existência: problemas filosóficos da pesquisa científica. Essa mudança foi realizada como estratégia de marketing, para melhor comercialização. E a obra é resultado das aulas ministradas aos alunos do Curso Avançado, daquele órgão das Nações Unidas, e foi dedicada a eles.” (FÁVERI, 2014, p.100-101, adição nossa)

1970-1978  Isolamento e trabalho como tradutor

  • “De 1970 a 1978, Vieira se fecha em seu apartamento. Precocemente aposentado e sem trabalho regular, se mantém traduzindo para a Vozes, editora católica sediada na cidade de Petrópolis, sob os pseudônimos de Francisco M. Guimarães, de Mariano Ferreira ou de Floriano de Souza Fernandes.”  (CÔRTES, 2003, p.323)

????  Tradução das obras escolhidas de Lênin, que foram destruídas pela ditadura (não se sabe ao certo a data)

  • “Um dos golpes quase mortais que recebi foi o que vou contar agora. Acho que todo ser humano tem que fazer isso. Havia vítimas do golpe, algumas em situação pior que a minha, vou dar um exemplo: o professor Álvaro Vieira Pinto, outro dos grandes sábios que o Brasil já conheceu, um dos raros filósofos que o Brasil já teve e não percebeu. Álvaro Vieira Pinto era um homem de invulgar cultura e um filósofo de alta categoria, era presidente do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), e foi sumariamente demitido e afastado de suas funções. Ele era médico também, tinha um cargo no Ministério da Saúde, também foi demitido, em suma, ficou a ver navios. Era uma figura frágil, pobre, digna, mas absolutamente indefesa. Sabia várias línguas, sabia alemão, inglês, francês, russo. Eu disse ao Álvaro que eu tinha um projeto, há muito tempo, que era publicar as obras escolhidas do Lenin, e queria traduzi-las diretamente do russo. Até que não queria tanto, porque já havia sido publicada em Moscou uma edição em língua espanhola, mas não havia em português, e, então, comissionei o Álvaro Vieira Pinto, porque era uma forma de dar um dinheiro a ele. Como leva muito tempo, eu não ia publicar a obra completa de Lenin, mas as obras escolhidas; assim mesmo, eram três volumes de mil páginas cada um, três mil páginas no total. Estabeleci com o Álvaro que ele teria uma retirada mensal. Tudo era para mascarar, porque eu nem sabia se ele ia concluir ou não o trabalho, mas era uma forma de ajudá-lo, sem que lhe desse dinheiro, porque ele não aceitaria, por dignidade; então, era um trabalho. Muito bem. Ele traduziu o primeiro volume, traduziu o segundo volume, e decidi mandar imprimir, apesar dos riscos. Eles tavam muito voltados às obras que tratassem — e eu publiquei muitas dessas obras — do golpe no Brasil, dos erros do golpe, do Carpeaux e de outros, e esses eles apreendiam logo. Mas com as obras de Lenin, eu pensava, seria diferente, ele era um líder político, uma figura histórica, e provavelmente passaria – eu tenho visto essas coisas. Eles não apreenderam Marx. Pensei, se não apreenderam Marx, não apreenderam Engels, que lancei também, vou lançar o Lenin, que é um brilhante pensador. Tenho muito respeito intelectual pelo Lenin, ele era um homem de ação política e um intelectual.” (Ênio Silveira In. FERREIRA et al, 2003, p.69-70)
  • “Pois muito bem, eles fizeram o seguinte: numa noite invadiram a gráfica, apreenderam os originais da tradução, dos dois livros, que estavam lá para eventuais referências, estavam compostos já, e o outro original que estava sendo composto, e levaram tudo, inclusive um material da gráfica, filmes, fotolitos etc. Sumiram com tudo, sumiram e queimaram. A gráfica tinha o primeiro volume já impresso, totalmente impresso, cinco mil exemplares de um livro de mil páginas impresso, e o segundo em impressão. Eles apanharam os cinco mil exemplares impressos, apanharam os originais, apanharam o que estava sendo impresso, filmes, fotolitos, tudo, sumiram com tudo, queimaram. Eu já havia pago ao Álvaro Vieira Pinto e paguei a grafica também. Foi mais uma tijolada violentíssima. Ao todo eles apreenderam mais de trinta títulos nossos, só isso já basta para dar uma dimensão terrível em termos empresariais.” (Ênio Silveira In. FERREIRA et al, 2003, p.70-71)

1973  Publicação de El pensamiento crítico en Demografia

  • “[El pensamento crítico en Demografia] Foi publicado em Santiago no Chile, pelo CELAD, somente em 1973, totalizando quinhentas e cinquenta e cinco páginas, e ainda não foi traduzido para a língua portuguesa.” (FÁVERI, 2014, p.101, adição nossa)

1977  Recebe visita de Demerval Saviani e 3 professoras da UFSCar

  • “Quem era ele? Como se tinha tornado filósofo? O que tinha sido feito dele? Onde estaria ele e o que estaria fazendo? [sobre Álvaro Vieira Pinto] (…) A oportunidade para responder a essas indagações surgiu em 1977, quando fui informado que o professor Álvaro V. Pinto estava morando no Rio de Janeiro. Consegui, então, visitá-lo em companhia de três colegas, a época minhas colaboradoras na Universidade Federal de São Carlos. Essa visita nos causou um forte impacto. Impressionou-nos a determinação com que o professor (assim costumamos chamá-lo) se dedicava a um trabalho intelectual anônimo, solitário, porém sistemático. Eram vários livros cujos manuscritos já estavam prontos, constituindo um considerável número de volumes.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.10-11, adição nossa)

1981  Demerval Saviani entrevista Álvaro Vieira Pinto

  • “Em julho de 1981 retornei à sua casa, agora munido de um gravador. Minha intenção era colher um depoimento para a “ANDE — Revista da Associação Nacional de Educação”. (…) As precárias condições de saúde do professor, o cansaço, o pouco tempo de que dispus não permitiram a realização de uma entrevista estruturada, acabada.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11-12)
  • “A esta altura a anistia tinha tornado possível a regularização da sua situação. Ele obtivera a aposentadoria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que absorvera a Faculdade Nacional de Filosofia onde Vieira Pinto havia obtido, por concurso, a cadeira de História da Filosofia.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.11)
  • “[Maria Aparecida Fernandes] (…) envolve-se com o mesmo entusiasmo [da época do ISEB] nas tarefas do presente, datilografando os manuscritos e se propondo a registrar os “insights” do marido [Álvaro Vieira Pinto] para eventuais publicações posteriores.” (Dermeval Saviani, 1982 In. VIEIRA PINTO, 2010, p.12, adições nossas)

1982-1983  Projeto de pesquisa da USFCar realiza contato com Vieira Pinto

  • “Álvaro reaparece no meio intelectual brasileiro através de um projeto de pesquisa organizado e desenvolvido na USFCar, no período de agosto de 1982 a julho de 1983, sobre alfabetização de adultos para funcionários daquela instituição, tema esse que nasceu de um amplo debate no curso de doutorado. Esse projeto era coordenado pelo Prof. Demerval Saviani e Betty Antunes de Oliveira, que ao longo da organização e desenvolvimento do mesmo, realizaram contatos com Vieira Pinto e fizeram uma entrevista, conseguindo organizar escritos de Álvaro sobre a temática da alfabetização de adultos, que originou a obra Sete lições sobre educação de adultos, publicada em 1982 pela Editora Cortez, num total de cento e dezoito páginas, incluindo a entrevistas realizada com Vieira Pinto.”  (FÁVERI, 2014, p.101)

1982  Publicação de Sete lições sobre educação de adultos

  • “Em 1982, Sete lições sobre educação de adultos é publicado pela Cortez Editora, de São Paulo. As sete lições foram originalmente anotações de aulas oferecidas ainda no Chile, em 1966. Esta publicação se torna seu maior sucesso editorial, encontrando um público fiel nos bancos universitários das faculdades de pedagogia. (Seguindo este mesmo filão editorial, a Cortez também vai reeditar A questão da universidade, texto de 1962.)” (CÔRTES, 2003, p.323)

1987  Falecimento

  • “Em 11 de junho de 1987, Álvaro Vieira Pinto morre de infarto na Casa de Saúde Santa Maria, no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro.” (CÔRTES, 2003, p.324)
  • “Álvaro Vieira Pinto morreu de infarto aos setenta e oito anos, na Casa de Saúde Santa Maria, no bairro Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1987.” (FÁVERI, 2014, p.94)

Informações de datas posteriores

  • “O conceito de tecnologia, escrito em dois volumes, com um total de mil e trezentas e vinte oito páginas, foi publicado recentemente pela Editora Contraponto, do Rio de Janeiro. Procurei saber como esse inédito foi parar na editora e descobri que, com a morte de Álvaro Vieira Pinto e sua esposa, um amigo da família, o advogado Perílio Guimarães Ferreira, passou a gerir os seus bens, inclusive aquele manuscrito, que lhe fora confiado. Com a morte do advogado, sua irmã, Orsely Guimarães Ferreira de Brito, ex-aluna de Álvaro, organizando os pertences do irmão falecido, encontrou no meio dos seus livros o manuscrito de O conceito de tecnologia. Conversando com sua amiga Marília Barroso, também ex-aluna de Álvaro, reconheceu sua letra e também a importância das páginas. Através de contatos de ambas com a professora Maria da Conceição Tavares, realizaram o contato com a Editora Contraponto e, imediatamente, providenciaram a sua publicação.” (FÁVERI, 2014, p.101-102)
  • “Num breve espaço de tempo, mais um inédito de Vieira Pinto [A sociologia dos países subdesenvolvidos] será publicado. É o inédito sobre o qual Álvaro confidencia a sua sobrinha Mariza, no dia do falecimento de seu pai, irmão mais novo de Álvaro, que havia terminado de concluir e que lhe permitia afirmar que havia completado o seu pensamento.” (FÁVERI, 2014, p.102, adicão nossa)