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Qual a relação entre Paulo Freire e Álvaro Vieira Pinto?

Ambos nasceram no Brasil, tiveram contato (possivelmente) pelo ISEB, e ambos estiveram no Chile em exílio ( Álvaro Vieira Pinto foi pra o Chile com ajuda de Paulo Freire e juntos ministraram um curso). Um ponto em comum e evidente, entre o pensamento de Paulo Freire e de Álvaro Vieira Pinto, é que ambos propõe questionamentos à questão da Educação e abordam a educação de adultos, a educação popular  e a questão da alfabetização

No livro “Sete lições sobre a educação para adultos”, Álvaro Vieira Pinto faz referências a passagens que lembram o chamado “método Paulo Freire”, como o processo conscientização a partir de imagens. Em sua obra, Vieira Pinto também aborda a consciência crítica e comenta sobre o grau zero e a questão da alfabetização (a inexistência de “analfabetos” propriamente ditos) que estão muito ligados à noção de educação bancária em Paulo Freire, por exemplo.

 

Referências de Álvaro Vieira Pinto citando Paulo Freire

Considerando apenas menções diretas que Álvaro Vieira Pinto fez do nome de Paulo Freire, temos, no livro: Sete lições sobre educação para adultos (1993) uma entrevista cedida por Álvaro Vieira Pinto, temos os trechos qual este cita:

  • “Os métodos bem sucedidos, como o do Paulo Freire, podem acabar se tornando um quisto, uma coisa que impede o prosseguimento do seu próprio desenvolvimento.”
  • “Fui para a Iugoslávia e lá fiquei um ano totalmente inativo, sem poder dar aula, pois conhecia muito mal a língua. Depois de um ano fui para o Chile, por sugestão de Paulo Freire. Ele conseguiu arranjar alguma coisa que eu pudesse fazer e de fato recebi convite para fazer conferências, organizadas por professores do Ministério da Educação juntamente com o Paulo Freire.”

No livro Consciência e Realidade Nacional (1960) ou Ciência e Existência (1969) [fonte incerta], Álvaro Vieira Pinto cita Freire em uma  passagem.

 

Referências de Paulo Freire citando Álvaro Vieira Pinto

 


Livros e artigos que abordam a relação entre Freire e Vieira Pinto

  • PAIVA, Vanilda Pereira. Paulo Freire e o nacionalismo desenvolvimentista. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1986.
  • FÁVERI, José Ernesto de (Org.). O legado de Álvaro Vieira Pinto na voz de seus contemporâneos. Blumenau: Nova Letra, 2012.
  • FÁVERI, José Ernesto de. Álvaro Vieira Pinto: contribuições à educação libertadora de Paulo Freire. São Paulo: Liber Ars, 2014.

 

Em que obras Paulo Freire cita Álvaro Vieira Pinto?

Considerando apenas menções diretas que Paulo Freire fez do nome de Álvaro Vieira Pinto, temos as seguintes entrevistas e obras listadas abaixo. Todas podem ser encontradas no Acervo Paulo Freire. As obras estão listadas abaixo sem uma ordem pré-estabelecida.

Freire, Conscientização: Teoria e prática da libertação, 1979

Citação a Álvaro Vieira Pinto:

Acredita-se geralmente que sou autor deste estranho vocábulo “conscientização” por ser este o conceito central de minhas idéias sobre a educação. Na realidade, foi criado por uma equipe de professores do INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS BRASILEIROS por volta de 1964. Pode-se citar entre eles o filósofo Álvaro Pinto e o professor Guerreiro. Ao ouvir pela primeira vez a palavra conscientização, percebi imediatamente a profundidade de seu significado, porque estou absolutamente convencido de que a educação, como prática da liberdade, é um ato de conhecimento, uma aproximação crítica da realidade.

Desde então, esta palavra forma parte de meu vocabulário. Mas foi Hélder Câmara quem se encarregou de difundi-la e traduzi-la para o inglês e para o francês.

Freire, Educação como prática da liberdade

Citação a Álvaro Vieira Pinto:

23 Paulo Freire, Educação e atualidade brasileira. Recife: Universidade Federal do Recife, 1959. A este propósito, é indispensável a leitura de estudos sérios e profundos do mestre brasileiro Álvaro Vieira Pinto. Entre estes, sobretudo, Consciência e realidade nacional. Rio de Janeiro: ISEB, 1961.

Citação a Álvaro Vieira Pinto:

A consciência crítica é “a representação das coisas e dos fatos como se dão na existência empírica. Nas suas correlações causais e circunstanciais”. “A consciência ingênua (pelo contrário) se crê superior aos fatos, dominando-os de fora, e por isso, se julga livre para entendê-los conforme melhor lhe agradar.” 71

71 Álvaro Vieira Pinto, Consciência e realidade nacional. Rio de Janeiro: ISEB, MEC, 1961.

Freire, Partir da infância: Diálogos sobre educação

Citação a Álvaro Vieira Pinto:

“Quer dizer: numa perspectiva libertadora, os educandos precisam estar absolutamente convencidos de que, em primeiro lugar, enquanto corpos conscientes, nós somos já método. 18”

18 A esse propósito, ver Álvaro Vieira Pinto, Ciência e existência. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1969.

Freire, Aprendendo com a própria história

Citação a Álvaro Vieira Pinto:

PAULO: Bem, a Educação como prática da liberdade foi uma revisão ampliada da minha tese, que defendi para uma cátedra na Universidade de Pernambuco. Nos intervalos das minhas cadeias trabalhei o material da tese e acrescentei, em determinados momentos, a experiência mais recente da aplicação mesma do que se chamava “método Paulo Freire”. Na verdade, na tese já estavam em grande parte sugeridas as proposições que, aplicadas, seriam comprovadas ou não.

Mas não foi a Elza que levou os originais. Antes mandara, por um amigo francês que trabalhava no corpo diplomático de seu país, no Recife, os originais já mais ou menos trabalhados para a França, para serem entregues a uma grande amiga minha, Silke Weber, que, na época, estava fazendo seu doutoramento em Paris. Quando cheguei ao Chile, de lá ela me mandou os originais, o que, aliás, era o caminho mais seguro.

No Chile revi tudo e, inclusive, percebi uma série de incongruências. Essa mesma amiga me mandou, acompanhando os originais, uma carta em que, fraternalmente, me chamou a atenção para certas incongruências e fazia reparos no texto. Primeiro li a carta, lógico, e pensei: não pode ser que esteja assim no texto. Inquieto, fui a ele e constatei que ela tinha razão. A primeira revisão que fizera se dera num período de muita tensão, daí os lapsos, as falhas que ela registrara. Retifiquei tudo, e o texto final é esse que se tem por aí hoje.

Mas, antes de fechar o livro para publicação — parece-me, não tenho certeza, que a primeira edição foi em 1967 —, eu tive a felicidade de ter o Álvaro Vieira Pinto por perto, que fez uma leitura crítica dos originais. Esse grande filósofo brasileiro, às vezes nem sempre bem compreendido, chegara da Iugoslávia para o Chile. Uma vez mais, Plínio Sampaio e Paulo de Tarso deram sua contribuição junto ao governo, e ele logo estava dando sua assessoria de primeira qualidade ao Ministério da Educação, para o qual escreveu uma série de textos que alguns anos atrás foram publicados pela Cortez, com prefácio de Dermeval Saviani.27 Mas o Álvaro ficou um tempo lá em casa e depois foi para um apartamento perto de nós, de modo que ele pôde fazer a leitura crítica que pedi, e tivemos muitos diálogos sobre ela.

27Álvaro Vieira Pinto, Sete lições sobre educação de adultos. São PAULO: Cortez, 1985.

Outras citações no restante do texto.

Entrevista concedida por Paulo Freire. In. Primeiro Livro: ‘revi Tudo’”;  2013

Citação a Álvaro Vieira Pinto na página 176 e na nota de rodapé da página 176:

Mas, antes de fechar o livro para publicação – parece-me, não tenho certeza, que a primeira edição foi 1967 –, eu tive a felicidade de ter o Álvaro Vieira Pinto por perto, que fez uma leitura crítica dos originais. Esse grande filósofo brasileiro, às vezes nem sempre bem compreendido, chegara da Iugoslávia para o Chile. Uma vez mais, Plínio Sampaio e Paulo de Tarso deram sua contribuição junto ao governo, e ele logo estava dando sua assessoria de primeira qualidade ao Ministério da Educação, para o qual escreveu uma série de textos que alguns anos atrás foram publicados pela Cortez, com prefácio de Dermeval Saviani.1 Mas o Álvaro ficou um tempo lá em casa e depois foi para um apartamento perto de nós, de modo que ele pôde fazer a leitura crítica que pedi, e tivemos muitos diálogos sobre ela

1 Álvaro Vieira Pinto. Sete lições sobre educação de adultos. São Paulo: Cortez, 1985.

Citação à Álvaro Vieira Pinto em diálogo entre Freire e entrevistador na página 177:

PAULO – Exato, e eu o republico no Educação como prática da liberdade,
em 1967.
SÉRGIO – Quando os originais já estavam lidos pelo Álvaro Vieira Pinto, já
havia o prefácio do Weffort e a ideia da inclusão da poesia do Thiago de Mello, aí
você mandou os originais para o Brasil?
PAULO – Sim, e também para a França. Na época, havia um interesse de uma
editora francesa por esse livro.

Freire, Escola Primária para o Brasil;  1961

http://acervo.paulofreire.org:8080/xmlui/handle/7891/1131

Citação à Álvaro Vieira Pinto na página inicial (página 15) e na nota de rodapé da mesma página:

A) – As sociedades que atingem ou ensaiam atingir a sua etapa autodeterminação, e, “sujeitos de seus próprios pensamentos”1, se fazem criadoras, começam a repelir soluções ou receitas alienadamente transplantadas.

1 VIEIRA PINTO, Álvaro – Ideologia e Desenvolvimento Nacional – Rio de Janeiro, ISEB, 1956.

Referência a livro traduzido por Vieira Pinto na página 17:

4 JASPERS, Karl – Razão e anti-razão em nosso tempo (Trad. do alemão por Vieira Pinto), ISEB

Referência à obra de Vieira Pinto, sobre desenvolvimento, na página 19, com citação em rodapé:

Não há desenvolvimento econômico, porém, sem que incorporemos ao processo do desenvolvimento, criticamente consciente, o povo9.

9 A respeito da necessidade de integração do povo no processo do desenvolvimento, VIEIRA PINTO, Álvaro – Op. cit.

 

Freire, Cultural Freedom in Latin America; 2011

Em Cultural Freedon in Latin America, citação à Álvaro Vieira Pinto. Segue abaixo transcrição de 2 parágrafos (respectivamente, na p.44 e na p.50):

At the very time when man recognizes them as barriers, when they  appear  as obstacles to freedom, they become  “outstanding perceptions”  in the  “depth  of their  vision.”  In this  way they  appear  in their real dimension: concrete and historical dimensions of a given fact. The “limit situations” themselves do not generate a hopeless climate. The perception men have of them in a given  historical moment  does. Concomitant with the  genesis  of  critical  perception, which is never separated from action, there develops a climate of faith and confidence which pushes men to struggle in order to overcome the “limit situations” which crush them. Once these have been overcome by the transformation of reality, new situations arise which elicit new actions from men and these are actions which Vieira Pinto calls “limit deeds.” Therefore what is proper to men as beings conscious of themselves and their  world,  is  to  adopt  a  permanent  posture  vis  à  vis  reality  where  the  “limit situations”  appear historically. And this  confrontation with reality to overcome the obstacles which they face may only be effected historically as the “limit situations” become historically objective.

5. The  Brazilian,  Professor  Alvaro  Vieira  Pinto,  analyzes  quite  clearly  the  problem concerning  the  “limit  situation,”  going  beyond  and  exhausting  the  pessimistic dimension  which  we  originally  find  in Jaspers. Vieira Pinto says that the “limit situations” are not “the unavoidable barrier where all possibilities end, but the real margin where all possibilities begin”; they are not “the frontier between being or not being but the frontier between being and being more.” Alvaro Vieira Pinto, Consciencia e Realidade Nacional (Rio de Janeiro:  Institute Superior de Estudios Brasileiros‐ISEB, 1960), vol. II, p.284.

Freire and Faundez, Por uma pedagogia da pergunta;  1985

Em Por uma Pedagogia da Pergunta, citação sobre conversa pessoal de Freire com Vieira Pinto, sobre exílio. Segue abaixo 2 parágrafos:

‘Enquanto relembravas este fato, eu estava recordando a afirmação que um velho amigo, o grande filósofo brasileiro Álvaro Vieira Pinto, me fez numa tarde de outono em Santiago. Acabrunhado e triste, me disse ele: “Paulo, o exilado vive uma realidade de empréstimo”. Ninguém melhor do que eu, exilado também, para entender o que ele afirmava. A partir daquele momento, de vez em quando, repito a frase, nem sempre citando a conversa. Hoje, que a cito em livro “falando-se”, faço questão de dar a sua origem.’

‘É isso mesmo, “o exilado vive uma realidade emprestada”. E é exatamente na medida em que ele aprende – como tu aprendeste, como eu aprendi e como muitos companheiros nossos, chilenos e brasileiros, bem como de outros países,
aprenderam – a viver a tensão permanente, radicalmente existencial, histórica, entre o contexto de origem, deixado lá, e o contexto novo, de empréstimo, que o exilado ou exilada começa a ter, na saudade do seu contexto, não um afogamento anestesiador de seu presente, mas uma chama que ilumina o necessário implante na nova realidade.’

Freire, Ação Cultural para a Liberdade;  1981

Em Ação cultural para a liberdade, citação direta a obra Ciência e Existência, sobre a consciência. Segue abaixo 1 parágrafo e 1 nota de rodapé, da mesma página.

‘A importância de uma tal compreensão da relação dialógica que se faz clara na medida em que tornamos o ciclo gnosiológico como uma totalidade, sem dicotomizar nele a fase de aquisição do conhecimento existente da fase da descoberta, da criação do novo conhecimento. Esta “corresponde, aliás, como salienta o prof. Álvaro Vieira Pinto, à mais elevada das funções do pensamento – a atividade heurística da consciência”.*’

* Vieira Pinto, Álvaro. Ciência e Existência, Ed. Paz e Terra, Rio, 1977, 2a ed., pág. 363.

Em Ação cultural para a liberdade, citação direta a obra Consciência e Realidade Nacional, sobre o analfabeto ser o homem que não necessita ler. Segue abaixo 1 parágrafo e 1 nota de rodapé, da mesma página.

‘É necessário, na verdade, reconhecer que o analfabetismo não é em si um freio original. Resulta de um frio anterior e passa a tornar-se freio, Ninguém é analfabeto por eleição, mas como conseqüência das condições objetivas em que se encontra. Em certas circunstâncias, “o analfabeto é um homem que não necessita ler **, em outras, é aquele ou aquela a quem foi negado o direito de ler.’

**Álvaro Vieira Pinto, Consciência e Realidade Nacional, ISEB, Rio, 1960.

Freire, Pedagogia Do Oprimido;  1987

Em Pedagogia do Oprimido, citação a obra Consciência e Realidade Nacional, sobre método. Segue abaixo 1 parágrafo e 1 nota de rodapé da mesma página. Aspas do original.

“O método é, na verdade (diz o professor Álvaro Vieira Pinto), a forma exterior e materializada em atos, que assume a propriedade fundamental da consciência: a sua intencionalidade. O próprio da consciência é estar com o mundo e este procedimento é permanente e irrecusável. Portanto, a consciência é, em sua essência, um ‘caminho para’ algo que não é ela, que está fora dela, que a circunda e que ela apreende por sua capacidade ideativa. Por definição, continua o professor brasileiro, a consciência é, pois, método, entendido este no seu sentido de máximo generalidade. Tal é a raiz do método, assim como tal é a essência, da consciência, que só existe enquanto faculdade abstrata e metódica.” 31

31 Álvaro Vieira Pinto, Ciência e Existência, R. J., Paz e Terra, 1986, 2a ed. Deixamos aqui o nosso agradecimento ao mestre brasileiro por nos haver permitido citá-lo antes da publicação de sua obra. Consideramos o trecho citado de grande importância para a compreensão de uma pedagogia da problematização, que estudaremos no capítulo seguinte.

Em Pedagogia do Oprimido, citação a obra Consciência e Realidade Nacional, sobre situações-limite. Segue abaixo 2 parágrafos e 1 nota de rodapé da mesma página.

‘Ao se separarem do mundo, que objetivam, ao separarem sua atividade de si mesmos, ao terem o ponto de decisão de sua atividade em si, em suas relações com o mundo e com os outros, os homens ultrapassam as “situações-limites”, que não devem ser tomadas como se fossem barreiras insuperáveis, mais além das quais nada existisse 14. No momento mesmo em que os homens as apreendem como freios, em que elas se configuram com obstáculos à sua libertação, se transformam em “percebidos destacados” em sua “visão de fundo”. Revelam-se, assim, como realmente são: dimensões concretas e históricas de uma dada realidade. Dimensões desafiadoras dos homens, que incidem sobre elas através de ações que Vieira Pinto chama de “atos-limites” – aqueles que se dirigem à superação e à negação do dado, em lugar de implicarem na sua aceitação dócil e passiva.
Esta é a razão pela qual não são as “situações limites”, em si mesmas, geradoras de um clima de desesperança, mas a percepção que os homens tenham delas num dado momento histórico, como um freio a eles, como algo que eles não podem ultrapassar. No momento em que a percepção crítica se instaura, na ação mesma, se desenvolve um clima de esperança e confiança que leva os homens a empenhar-se na superação das “situações-limites”.’

’14 O Prof. Álvaro Vieira Pinto analisa, com bastante lucidez, o problema das “situações-limites”, cujo conceito aproveita, esvaziando-o, porém, da dimensão pessimista que se encontra originariamente em Jaspers. Para Vieira Pinto, as “situações-limites” não são “o contorno infranqueável onde terminam as possibilidades, mas a margem real onde começam todas as possibilidades”; não são “a fronteira entre o ser e o nada, mas a fronteira entre o ser e o ser mais” (mais ser). Álvaro Vieira Pinto, Consciência e Realidade Nacional. Rio de Janeiro, ISEB, 1960, vol. II, p.284.’

Freire, A importância do ato de ler; 1989

Em A importância do ato de ler, citação a Vieira Pinto na dedicatória do livro). Segue abaixo toda a dedicatória.

Com Álvaro de Faria,
Álvaro Vieira Pinto e 
Ernani Maria Fiori 
experimentei, no Chile, 
em tempo de exílio, 
momentos de intensa 
criatividade.
Aos três, fraternalmente.

Paulo Freire 
São Paulo, junho de 1982

Freire, Pedagogia Da Autonomia. 1996

Em Pedagogia da Autonomia, citação direta a obra Ciência e Existência, sobre conhecimento. Segue abaixo 1 parágrafo e 1 nota de rodapé, da mesma página.

‘O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o mundo. Mas, histórico como nós, o nosso conhecimento do mundo tem historicidade. Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se fez velho e se “dispõe” a ser ultrapassado por outro amanhã*. Daí que seja tão fundamental conhecer o conhecimento existente quanto saber que estamos abertos e aptos à produção do conhecimento ainda não existente. Ensinar, aprender e pesquisar lidam com esses dois momentos do ciclo gnosiológico: o em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. A “do-discência” – dociiencia-discência – e a pesquisa, indicotomizáveis, são assim práticas requeridas por estes momentos do ciclo gnosiológico.’

* A esse propósito, Ver Vieira Pinto Álvaro, Ciência e Existência. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1969.

Conscientização: Teoria e prática da libertaçãoUma Introdução ao Pensamento de Paulo Freire 1979